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POLÍCIA

Taxistas de Belém são reféns da violência

Há 20 anos, o taxista Edson Alencar trabalha em uma praça de Belém. Com duas décadas na profissão, ele contabiliza histórias dele e de colegas que foram vítimas da criminalidade na capital. Nos últimos anos, o autônomo foi assaltado três vezes e alerta: “

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Há 20 anos, o taxista Edson Alencar trabalha em uma praça de Belém. Com duas décadas na profissão, ele contabiliza histórias dele e de colegas que foram vítimas da criminalidade na capital. Nos últimos anos, o autônomo foi assaltado três vezes e alerta: “Existem áreas mais perigosas que as outras, porém, têm bairros que a situação é pior, linhas consideradas ‘velhas’. Para os bandidos, não tem hora e nem lugar. Temos que ficar atentos e contar com Deus, pois é o único que pode nos proteger”, disse.

Bairros como Jurunas, Cremação, Marco, Tenoné, Distrito Industrial, Guamá, e principalmente, Terra Firme, estão no topo dos lugares considerados mais arriscados para os taxistas. Esta semana, o DIÁRIO conversou com os profissionais autônomos, que apontaram onde há mais risco de se trabalhar. “Tem lugar que nós somos obrigados a falar para o passageiro que não vamos entrar. Dizemos que só podemos levar até a esquina”, ressaltou Edson.

“Era véspera dos Dias dos Pais, por volta das 18h, quando eu fui deixar um pessoal na cremação. Eles disseram que era uma festa. Na volta para o ponto, dois rapazes me pediram para ir à Cremação. Pensei que fosse para a mesma festa. Mas, quando chegou na Alcindo Cacela, eles anunciaram um assalto. Me deram primeiramente R$50, para ver se eu tinha dinheiro. O da frente estava armado. Disse para eu passar tudo. Depois, eles me deixaram em uns becos próximos da 14 de março”, lembrou o taxista, que atualmente trabalha em um ponto em São Brás.

Edson também se lembra de outra situação traumática. “Um casal que saia da rodoviária veio em direção ao meu carro. Os dois falavam como as pessoas do interior. A menina de shortinho e o capaz com uma sacola. Eles disseram que iam para a Terra Firme, no Riacho Doce, quando cheguei lá, ela tirou uma faca e disse: “perdeu coroa’’, em seguida, o rapaz tirou dos seios dela uma arma e colocou em mim. Eles levaram tudo e só deixaram os meus documentos. Eles nos levam para lugares assim, pois é difícil o acesso”, contou.

“Na Terra Firme, nós levamos os passageiros até a praça. Passando de lá, fica complicado. Não entramos na Ligação, na Lauro Sodré, na confluência entre a Terra Firme com o Guamá, principalmente na ponte alta do Tucunduba. O conjunto Riacho Doce é perigoso. Mas no centro, as baixadas do Marco, como a Mauriti, Mariz e Barros, na passagem Hortinha, na 14 de Março. Nos bairros mais afastados, eu também evito entrar no Distrito Industrial e no Tenoné”, conclui.

O taxista Reginaldo Siqueira atua na profissão há 15 anos. Ele também já foi vítima de uma tentativa de assalto no bairro da Terra Firme. “Na realidade foi uma ‘casinha’ que fizeram comigo. Eles me mandaram ir para o Tucunduba, chegamos lá e já tinham outros nos esperando. Um atirou no carro, mas eu não fui atingido. Hoje existem lugares que não entramos mais. A polícia está ciente deles, mas também não mudam”, desabafou.

INVESTIMENTO

Para se precaver dos meliantes, Reginaldo, hoje, trabalha em um carro de cooperativa, que oferece mais segurança, porém, o custo é mais alto. “Agora tem um botão no carro. Os bandidos não sabem. É só apertar que a polícia fica sabendo e todos os taxistas que estão perto do local. Entretanto, para entrar na cooperativa, o custo é de R$ 25 mil, mas passamos a ser uma espécie de sócio”, pontuou.

Em outro ponto de táxi, as histórias se repetem. Lorival Moreira trabalha no bairro do Marco, e diz não se arriscar nas corridas. “Só levo as pessoas até onde eu posso. Isso é uma questão de receio. Já fui assaltado. Levaram toda minha renda do dia. Não tem hora, e nem local, porém existem ruas com risco maior. Particularmente, evito entrar para o Una, Bengui, Curió Utinga, Guamá e Terra Firme. Não é preconceito, mas são áreas com muitas ruas estreitas, escuras e com a criminalidade alta”, argumentou.

Após perder um notebook, um celular seminovo, e mais de mil reais, Mário Antônio trocou de carro e tomou várias medidas preventivas. “Carro muito novo chama atenção. Por isso, comprei um de segunda mão. Bem cuidado, claro. Não uso película, mas uso os aplicativos do celular. Assim, temos o telefone, endereço, além disso, não paro na rua quando fazem sinal. Atendo os clientes da cooperativa e do aplicativo, e mais antigos. Já fui roubado, e o meu prejuízo foi de mais de 4 mil”, pontuou.

De acordo com o Sindicato dos Taxistas de Belém, a Polícia Militar já está ciente dos bairros considerados mais perigosos, contudo, o risco é em toda a cidade. “A PM sabe, a Civil sabe, todos sabem. Mas, hoje, em todos os lugares sofremos perigo. Qualquer lugar é perigoso. Você pode pegar um casal com uma criança, na Quintino, na Presidente Vargas, e ainda sim, vai ter risco. Hoje não existe mais a história de periferia, todos os locais são inseguros aqui em Belém”, argumentou Alain Castro, presidente do Sindicato.

(Diário do Pará)

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