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POLÍCIA

Ação desastrosa de PMs matou produtor

Há dez anos, num 10 de janeiro, uma ação desastrosa da Polícia Militar, durante abordagem a um criminoso que cometia um assalto com refém na avenida João Paulo II, no bairro do Marco, acabou matando o promotor de eventos Carlos Gustavo Russo,então com 27

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Há dez anos, num 10 de janeiro, uma ação desastrosa da Polícia Militar, durante abordagem a um criminoso que cometia um assalto com refém na avenida João Paulo II, no bairro do Marco, acabou matando o promotor de eventos Carlos Gustavo Russo,então com 27 anos. A ação policial contou com 8 PMs, e 22 tiros foram disparados contra o veículo em que estavam vítima e bandido.

Sete balas atravessaram o corpo do promotor. Na memória da mãe da vítima, a presença da indignação, revolta e sentimento de impunidade. A morte de Russo se assemelha à abordagem que culminou no assassinato da técnica da Receita Federal, Dayse do Socorro de Almeida e Cunha, de 51 anos, morta na madrugada de ontem. Como Gustavo, ela também estava na condição de refém e foi morta com tiros disparados pelas costas, enquanto estava no carro. As balas vieram do lado de fora, enquanto policiais e bandidos trocavam tiros.

“Infelizmente, foi outra ação falha por profissionais que deveriam nos dar proteção. Como no caso do meu filho, tudo indica que os disparos foram de fora pra dentro, ou seja, não tendo cuidado com a pessoa que necessitava da ajuda”, comentou Iranilde Russo, mãe de Gustavo, morto em 2005. “Hoje em dia vemos profissionais sem nenhum preparo nas ruas, partindo logo para o acerto de contas. Temos que rever que é uma vida que está em jogo. A preparação que é de extrema importância deve entrar exatamente nesse momento, quando o cidadão precisa dela”, complementou ela, questionada sobre a falta de diálogo entre policiais e criminosos nesse tipo de abordagem.

Após a morte do filho, Iranilde fundou a associação Movimento pela Vida (Movida), que reúne familiares e amigos de pessoas que foram vítimas de violência no Pará. “Não podia ficar parada vendo aquela situação, vivendo aquele momento. Isso levantou a estima e confiança de pessoas que também perderam seus entes queridos e a clamarem por justiça”, disse, justificando os motivos que a levaram a criar a associação.

Sobre o caso envolvendo Gustavo, cinco policiais militares que estavam naquela desastrada operação sentaram no banco dos réus e foram condenados, mas outros três foram absolvidos. “Continuo com o procedimento de todos arcarem com aquilo que fizeram”, afirmou Iranilde, para quem a violência não está sendo combatida com a firmeza necessária. Como a maioria da população do Estado, ela admite não se sentir segura.

(Diário do Pará)

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