Já foi ouvido pelo delegado Lenoir Cunha, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, o soldado da Polícia Militar Jemerson Allan da Silva Moraes, que é apontado como o principal suspeito do assassinato de três homens e baleamento de uma mulher, no começo da madrugada da última segunda-feira, na ilha do Outeiro, na rua das Mangueiras, em uma casa em cuja frente havia uma venda de churrasco.
O soldado estava acompanhado de seu advogado e ao prestar depoimento disse que agiu em legítima defesa e que as pessoas presentes tentaram agarrá-lo para espancá-lo. Por isso, como estava armado, reagiu atirando contra os agressores e uma bala perdida acabou acertando a vendedora de churrasco.
Como já havia passado o período de flagrante e ainda não havia ordem de prisão preventiva para Jemerson, delegado Lenoir, disse que teve de colocá-lo em liberdade.
O procedimento apuratório logo em seguida foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios de Icoaraci. Lá, o delegado Carlos Ivan, resolveu dividir a apuração dos fatos, com o delegado Jaime Mercês, atual diretor da Delegacia do Outeiro.
DENÚNCIAS
Jaime, inclusive, recebeu logo ao nascer do dia vários familiares das vítimas do soldado. Foram lhe dizer que Jemerson, depois que foi ouvido na Divisão de Homicídios, teria retornado para o local do crime, em Outeiro, e, armado, teria feito ameaçá-los, dizendo que mataria quem fosse à polícia prestar depoimento contra ele, além de que se surgissem outras testemunhas, elas seriam mortas.
O delegado Jaime contou que, em decorrência das queixas, encaminhou informação para a Corregedoria da Polícia Militar, pedindo uma medida administrativa para retirar o soldado de circulação, prendendo-o até que a Justiça se manifestasse sobre um pedido de prisão preventiva encaminhado contra ele.
PREVENTIVA
Posteriormente, familiares e amigos das vítimas dirigiram-se para a frente do Forum de Icoaraci, para pedirem ao Judiciário o decreto de prisão preventiva para Jemerson.
O delegado Carlos Ivan, dirigiu-se até ao magistrado que está com o processo, solicitando-lhe que se manifestasse logo, pois o soldado poderia matar mais pessoas.
O magistrado informou que estava pedindo um parecer do Ministério Público sobre o caso e nas próximas horas se posicionaria. Isso foi informado para os familiares das vítimas.
Os mortos desta chacina são Luiz Henrique Corrêa Santos e José Alexandre dos Santos Silva, que morreram no local do baleamento. Posteriormente, morreu, ao receber atendimento no Hospital Metropolitano, o feirante João Fernandes das Chagas.
SOBREVIVENTE
No mesmo hospital, sobreviveu, mas está internada em estado grave, a dona da casa e vendedora de churrasco Natália Amaral Neves.
Segundo os familiares dessas vítimas, o soldado estava atrás de sua namorada, uma adolescente de 17 anos, que o teria traído com um adolescente, filho de Natália, a vendedora de churrasco. Por isso teria ido até a casa onde a garota morava, querendo matá-la.
Segundo uma testemunha, ele soube por conhecidos onde morava o adolescente, mas como não encontrou a namorada lá, teria resolvido atirar nas pessoas presentes. Uma amiga da namorada do soldado contou que ele havia deixado a mulher e dois filhos, por causa da garota.
COBRANÇA
Na frente do Fórum, ontem, os familiares das vítimas alegavam que estaria ocorrendo uma certa proteção para com o soldado. Ameaçaram que, se nas próximas horas não houver uma atitude favorável da Justiça, mandando prender o soldado, irão fechar a ponte do Outeiro, em protesto.
(Diário do Pará)
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