Os bandidos seguem ditando o ritmo da violência no estado do Pará e impõem às forças de segurança pública derrotas homéricas. Pelo menos 10 pessoas são assassinadas no estado por dia e os indicadores de violência se mantiveram estáveis ao longo dos últimos quatro anos. Os dados mais recentes aos quais o DIÁRIO POLÍCIA teve acesso apontam que nos quatro primeiros meses de 2015 nada menos do que 1267 pessoas foram assassinadas, o que representa a média de 10,5 mortes por dia. Os dados, contidos no relatório de registros de ocorrências policiais do estado, foram obtidos ao Sindicato dos Policiais Civis do Pará, e reforçam o sentimento de insegurança que domina a cena local, sobretudo na Grande Belém.
Desde 2011, quando iniciou o novo mandado do governador Simão Jatene, os indicadores atingiram números absurdos, sem que houvesse uma mudança drástica no comando da segurança pública ou na aplicação de estratégias mais eficazes. Naquele ano, foram assassinadas 3.619 pessoas, e nos anos seguintes foi mantida a tendência de crescimento. Em 2012, 3.718 assassinatos, e no ano seguinte outros 3.986.
No ano passado, apenas dois assassinatos a menos em relação a 2013: 3.984 pessoas mortas em 12 meses. E em 2015, apesar da mudança no comando da Secretaria de Estado de Segurança Pública, com a indicação de um general do exército para a pasta, os índices se mostraram nada tímidos.
Em janeiro, 340 homicídios e 15 latrocínios (roubo seguido de morte). No mês seguinte, 288 assassinatos. Em março, 311 e no mês passado houve um aumento: 298 homicídios, 15 latrocínios e um total de 313 pessoas assassinadas em apenas um mês. Em maio, até a última segunda-feira, ocorreram 111 assassinatos. No total, foram 1.378 homicídios até então.
Muitos deles relacionados a desavenças antigas e disputa por pontos de tráfico de drogas, e a maioria longe de serem solucionados. Como a morte do ajudante de pedreiro José Silva Nascimento, de 46 anos. No dia 8 deste mês, ele realizava um trabalho no residencial Albatroz, em Marituba, e foi assassinado por dois homens, que ainda o obrigaram a ficar de joelhos. A vítima era ex-presidiária e ainda não foram descobertas as motivações para o crime.
No dia 3 de maio, outro crime brutal, que vitimou o tio de um promotor militar e que era da reserva da PM. Ele tinha 72 anos, foi torturado e estrangulado até a morte.
A polícia o encontrou em seu apartamento, amarrado na cama pelos pés e mãos, amordaçado, e com um pano no rosto. Manuel Siqueira Brasil morava em um residencial no bairro do Maguari, em Ananindeua. No dia seguinte, a polícia prendeu os suspeitos. Seriam dois jovens, que confessaram o delito.
MAIS UM CASO
Eles queriam roubar objetos de valor da vítima e contaram com a ajuda de um adolescente de 16 anos. O idoso estava dormindo e foi assassinado. Apenas mais um caso não evitado pela polícia, que não tem forças para inibir as ações de criminosos, mais do que nunca, senhores da situação.
PM denuncia falta de apoio e sucateamento.
(Diário do Pará)
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