Um dos golpes mais antigos da praça não saiu de cena. Pelo menos em Belém, o clássico “jogo das tampinhas” é executado a céu aberto, em qualquer hora do dia, em locais de grande movimentação, sem que seus operadores sejam incomodados pela polícia. A reportagem do DIÁRIO POLÍCIA flagrou o exato momento em que o golpe era aplicado na tarde do último sábado, em uma parada de ônibus próxima a um shopping no início da BR-316, sentido Ananindeua-Belém. Um homem magro, cabeludo e de fala fácil e rápida, manuseava a bolinha, escondendo-a entre as três tampinhas postas em uma mesinha improvisada num caixote. O jogo é simples e praticado no mundo todo, com uma ou outra variante, mas sem perder sua fórmula.
O operador demonstra sua habilidade e agilidade movimentando a bolinha entre as tampinhas. Num determinado momento, ele a esconde em uma das tampas e o apostador pode indicar onde ela estaria, desde que apostasse algum valor. Se acertar, ganha dobrado. Se errar, dê adeus à grana. Parece fácil, mas é pura ilusão, afinal, nem sempre a bolinha poderá estar onde deveria.Quem conduz o jogo precisa ter extrema habilidade a ponto de esconder bem a bolinha. Normalmente, ele fica com ela entre os dedos e, sem que ninguém perceba, ele a coloca numa tampinha diferente da indicada pelo apostador. O objetivo claro é pegar o dinheiro dos incautos, ansiosos pela chance do dinheiro fácil, nem que para isso a vítima ganhe algumas vezes para que se sinta incentivada a realizar novas apostas. Mas no final, a “casa” sempre leva. A prática configura o crime de estelionato.
Jovem sacou R$50 certa de que a bolinha estava embaixo da tampinha indicada. (Foto: Divulgação)
Enquanto a reportagem esteve no local, era possível identificar outros participantes do suposto esquema. Além do operador, havia pelo menos mais duas pessoas que se passavam por apostadores. Um deles, de camisa quadriculada, aparecia frequentemente apostando quantias altas, como R$ 100. Ele sempre fica ao redor, observando quem se aproxima para checar se seria mesmo fácil conseguir esse dinheiro extra.Quando ninguém arriscava, ele entrava em cena. O espectador via ali que podia dobrar a grana que tinha no bolso, jogava no “fogo” e rapidamente perdia.
O DIÁRIO POLÍCIA flagrou esse momento. Uma jovem sacou R$ 50, certa de que a bolinha estava embaixo da tampinha indicada por ela. Perdeu!Poucos segundos depois, entra em cena outra mulher, apostando outros R$ 50. E não é que a ‘sortuda’ acertou onde estava a bolinha e surpreendentemente levou mais R$ 50? Nisso, quem estava ao redor do hábil operador continuava fazendo sua ‘fezinha’. O suposto bando não escolheu aquele local por acaso. Às proximidades de um shopping, e na véspera do Dia das Mães, o movimento era intenso e muita gente estava com a carteira recheada. O que se com uma certa frequência era incautos com várias notas de R$ 50 e R$ 100, esperançosos em dobrar o que tinham em mãos, mas quase todos saíram decepcionados.
Num outro momento, já com o bolso cheio, o operador saía de cena, para não dar pinta e evitar algum tipo de denúncia à polícia. A quadrilha toda é organizada para dar aparo e cobertura ao operador e demais integrantes que agem na chamada “linha de frente”. Mais distante de onde tudo acontece estão os “olheiros”, que visualizam toda a cena, definem os locais para os golpes e monitoram se há alguma ameaça da polícia aparecer. Caso isso ocorra, dão o alerta e os objetos usados no jogo desaparecem em questão de segundos.
(Diário do Pará)
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