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POLÍCIA

Absolvição de suspeita revolta família de vítima

A notícia da absolvição da advogada Darlene Pantoja da Silva abalou a família do jovem Cassyus Augusto, na época, 25 anos. Ele era passageiro do mototaxista José de Sousa Trindade, 52 anos que na madrugada do dia 27 de abril de 2014, colidiu com o carro d

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A notícia da absolvição da advogada Darlene Pantoja da Silva abalou a família do jovem Cassyus Augusto, na época, 25 anos. Ele era passageiro do mototaxista José de Sousa Trindade, 52 anos que na madrugada do dia 27 de abril de 2014, colidiu com o carro da advogada no cruzamento das avenidas Alcindo Cacela e Conselheiro Furtado. O jovem e piloto morrem no local. A família de Cassyus acredita que houve falhas durante o processo de investigação, pois até hoje, não tem respostas das causas do acidente.

Cassyus era promotor de vendas e sustentava a mãe, Marigilda Ferreira Fonseca, que é dona de casa e a avó, Maria das Neves, que após o acidente passaram a morar na casa de Marinilda, tia do jovem, por conta dos maiores cuidados exigidos para cuidar de Maria, que vive encamada. Marigilda conta que no dia do acidente, o filho estava na casa da namorada, quando resolveu voltar para casa, às 3h.

No entanto, após o acidente fatal, a família somente teve conhecimento da morte de Cassyus três horas mais tarde, já para reconhecimento do corpo no Instituto Médico Legal. “Eu só fiquei sabendo às 6h, o Policial Militar que me ligou do celular dele (do Cassyus), eu fiquei até na dúvida, eu pensei que ele estava em casa e levei um choque no domingo de manhã. A notícia mais bombástica que nunca imaginei receber na minha vida”, relembrou Marigilda.

O resultado da absolvição também veio em forma de choque, já que a família sabia da existência de um vídeo da perícia criminal retirando do veículo garrafas de bebidas alcoólicas e desde então não tiveram mais respostas sobre a perícia feita no veículo, moto e mais três carros estacionados que foram atingidos com o impacto, que poderiam identificar a causa do acidente: ou a condutora acusada estaria alcoolizada, em alta velocidade e teria avançado o sinal vermelho ou condutor da moto teria avançado o sinal vermelho.

PROVAS

Darlene havia sido denunciada pelo Ministério Público do Pará por homicídio culposo, mas na sentença do juiz Sérgio Andrade de Lima analisou o caso, onde considerou, entre os critérios, que não houve provas satisfatórias e necessárias à condenação da acusada e que dos poucos depoimentos, foram inseguros e contraditórios e não comprovam que o acidente teria sido causado pela alta velocidade ou avanço de sinal do veículo conduzido por Darlene.

“Fiquei sabendo do resultado de manhã, no jornal. Na hora foi uma decepção, sistema falido o que a gente pode esperar? Isso é sofrer dobrado, se fosse condenada eu não iria ficar alegre, mas ia ver justiça. Tinha imagens mostrando bebida no carro. Que Justiça é essa? O carro dela deram fim, não sei nada sobre a perícia, mas tinham as imagens, não sei o que aconteceu com esses depoimentos, não sei o que eles precisavam de mais provas, isso é revoltante”, disse indignada.

A tia, Marinilda, também estava revoltada, pois segundo ela, os depoimentos da acusada também foram contraditórios. “No primeiro depoimento dela (acusada), ela disse que estava na casa de parentes. Por que isso não é contra ela? O que pesou pra gente no julgamento, todo depoimento num detalhe a testemunha se contradisse. Perguntaram qual era a cor do carro, a pessoa não sabia a cor do carro no momento do acidente e o depoimento foi considerado contraditório”, disse.

“Encontraram garrafas de bebida e isso não é relevante? E as investigações para comprovar se isso foi implantado no carro dela, como o advogado e ela dizem, cadê? Tem testemunho do segurança do bar que disse que a viu saindo após uma briga, alcoolizada”, continuou.

SONHOS

A mãe de Cassyus se emociona ao falar do filho e dos sonhos que o jovem ainda tinha e da promessa de nunca abandoná-la foi interrompida. “Ele sonhava muito em ter uma família e eu falava assim e eu, quem vai cuidar de mim? Sou eu, eu que vou cuidar da senhora”, relatou chorando.

“Até hoje, um ano depois, eu só lembro dele alegre, sorridente, queria ter uma casa própria , queria casar e ter filhos. Ele era uma pessoa muito querida, os próprios amigos estão indignados com essa decisão. Ele jogava futebol sempre, todo dia, jogava pela empresa e o futebol pela rua”, lembrou ainda emocionada. A família irá recorrer do caso.

(Diário do Pará)

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