Após sete meses da chacina que vitimou diversos jovens em bairros da periferia de Belém, familiares e amigos das vítimas, além de representantes da Comissão Justiça e Paz da Terra Firme, entidade ligada à pastoral da Igreja Católica, e a ouvidora geral do Sistema de Segurança Pública, Eliana Fonseca, se reuniram para realizar pela sétima vez uma caminhada em memória ao trágico episódio ocorrido nos dias 4 e 5 de novembro do ano passado, sobretudo, para cobrar das autoridades respostas acerca da investigação dos crimes.
Outros assassinatos também foram lembrados durante o ato, como o do universitário Lucas Batulevicios, que morreu no último dia 25, e da pequena Ana Karoline Siqueira, morta durante um assalto no último dia 23. Membro da Comissão Justiça e Paz da Terra Firme, que atua em defesa da vida e dos direitos humanos, Francisco Batista disse que o movimento presta apoio às famílias das vítimas desde o dia seguinte à madrugada na qual os homicídios ocorreram.
“Todo mês essa caminhada é realizada. As famílias estão aqui não só para lembrar os entes que se foram, mas principalmente porque queremos uma resposta eficaz do poder público para que os culpados sejam punidos”, explica Francisco.
A caminhada foi realizada na Rua dos Caripunas, no Jurunas, bairro onde morava o jovem Nadson Roberto Araújo que havia completado 18 anos um dia antes de ser assassinado. Amigos e familiares do jovem participaram do ato e lembraram que, nesta época do ano, Nadson sempre participava da quadra junina que ocorria no bairro.
“Ele estava conversando com duas colegas sentado na calçada da Rua dos Pariquis, porque elas chamaram ele para fazer a lista do aniversário dele. Chegaram uns homens armados e abordaram ele e perguntaram para as amigas se elas queriam ir junto. Mataram ele com um tiro na cabeça. Ele era um menino trabalhador, eu nunca podia imaginar que isso aconteceria com ele, porque não era de estar na rua. Depois que isso aconteceu eu não trabalho mais. Só vivo doente. Ele não tinha vício nenhum, os amigos dele estão aqui para comprovar. Não tinha inimigos nem más amizades. Para mim acabou tudo, era meu único filho homem. Não tivemos nenhuma resposta da Justiça até agora”, disse Maria Helena Costa, 50, mãe de Nadson.
REVOLTA
O sentimento da mãe de Márcio dos Santos Rodrigues, 22, assassinado na madrugada do dia 5 de novembro, ainda é de revolta pela perda prematura do filho. A dona de casa Suzana Amaral, 45, contou que ainda espera que seja feita justiça por todos os assassinatos cometidos naquela noite.
“Continuo esperando respostas da polícia para tentar minimizar a minha dor. Nenhuma mãe que perde um filho do jeito que nós perdemos consegue viver normalmente. Nós sobrevivemos. Ele estudava, trabalhava, ajudava a família, era um bom filho e tiraram tudo isso dele. Quando o Estado entra na periferia é para matar porque bandido não anda encapuzado. Ele estava vindo da praça de alimentação no Conjunto Cordeiro de Farias, estava de moto com mais dois amigos. Ele passou por uma viatura da PM e logo depois duas motos com três pessoas encapuzadas começou a perseguir ele até matar. Tenho mais dois filhos, mas um não substitui o outro. A gente espera que identifiquem os culpados, que sejam presos, julgados e condenados”, ressaltou a mãe da vítima.
“O Ministério Público Militar concluiu o processo e alguns militares foram indiciados por omissão. Agora a Polícia Civil precisa comunicar tem que comunicar quantos casos avançaram porque a medida que vai demorando para isso acontecer vão se criando muitas dúvidas. É essa resposta que as famílias querem”, garante a ouvidora do Sistema de Segurança Pública, Eliana Fonseca.
(Diário do Pará)
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