Dois universitários, com quase a mesma idade, de nomes Lucas, também foram vitimados pela brutalidade, em meio ao caos da insegurança em Belém. O primeiro e mais jovem, Lucas Costa, tinha 19 anos de idade e cursava Fisioterapia. Ele foi morto, dia 23 de maio, com um tiro na cabeça quando estava dentro do ônibus de uma excursão. Ele seguiria com colegas para prestar atendimento social e levar ações de saúde para comunidades do município de Magalhães Barata.
Após o crime, testemunhas reconheceram dois suspeitos, que tiveram a prisão preventiva decretada. Dez dias depois eles foram libertados, sendo que dois adolescentes se apresentaram como autores do homicídio.Menos de 72 horas depois, o corpo de Lucas Batulevicios, 23, estudante de Direito, foi encontrado dentro de um carro na avenida centenário. Havia uma perfuração de bala na porta do veículo e um ferimento no jovem, que foi achado por guardas municipais. Até agora, segundo o que foi apurado, dois homens o teriam abordado, ele teria tentado fugir e foi baleado. Ninguém foi preso até o momento por envolvimento no crime.
COMO EXPLICAR?
Como explicar tanta violência? As pessoas de maior poder aquisitivo também sempre praticaram e foram vítimas, em menor escala que os demais, de crimes violentos. Contudo, atualmente a alta incidência de latrocínios (roubo seguido de morte) de pessoas de “classes elitizadas” parece ter acionado uma espécie de alerta na cúpula da segurança pública. “Sempre foi um erro, algumas vezes por ignorância outras vezes de forma má intencionada, dizer que violência e pobreza estão sempre ligados. Embora os ricos tenham mais condições de se precaver desse fenômeno seja morando em condomínios fechados, seja com sistemas vigilância e alarme, seja com carros blindados e seguranças particulares, sempre houve casos em que pessoas de posses foram vítimas de violências”, informa o professor Jaime Luiz Cunha de Souza, Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará.
“BARULHO”
Mesmo com todo o “barulho” feito pelos veículos de comunicação em torno da criminalidade que agora amedronta a elite, a polícia, sozinha, não tem como resolver o problema, diz ainda Jaime Souza. “Não me parece que esteja havendo, em função do caso, alguma mudança na estrutura das instituições do Estado e da sociedade civil capaz de alterar esse cenário de violência. Sendo assim, daqui há alguns dias, tudo estará novamente como sempre foi. Quanto à solução, creio que pensar que a polícia pode sozinha resolver esse problema é, no mínimo, ingenuidade”, acrescenta o professor.
(Diário do Pará)
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