Até a tarde da última quarta-feira, 10, quando assaltantes em uma ação cinematográfica invadiram simultaneamente duas agências bancárias, em Uruará, no sudoeste paraense, foram contabilizados 36 ocorrências no Estado em 2015, sendo 24 consumados e 12 tentativas. Com um alto número de casos registrados, os funcionários das instituições e a população são os únicos que sofrem com o descaso da segurança pública do Pará, pois contabilizam sequelas que duram por toda a vida.
De acordo com o Sindicato dos Bancários do Estado, no primeiro semestre deste ano, o número de ocorrências já passa da metade registrada no ano passado. Em 2014, foram feitas 54 ocorrências, sendo 32 consumadas e 22 tentativas. Ou seja, este ano os fatos efetivos somam 75% dos que aconteceram no ano anterior. Já em 2013, foram registradas 52 ocorrências, das quais com 39 assaltos consumados e 13 ensaios. Enquanto que em 2012, foram 51 relatos, 36 assaltos e 15 investidas. Na progressão dos períodos, em 2015 a média da violência é maior, comparada aos anos anteriores.
Atualmente, o Estado tem 492 agências bancárias, sendo 160 na região metropolitana de Belém e 332 no interior, as quais são consideradas mais volúveis aos assaltos do estilo ‘novo cangaço’, onde destemidos, os bandidos fortemente armados entram nas agências, fazem funcionários e clientes reféns e, consequentemente, provocam o pânico nas pequenas cidades, que contam com um efetivo policial mínimo.
“Hoje o Sindicato dos Bancários do Pará vê com preocupação os assaltos que estão ocorrendo. Apenas esta semana, tivemos quatro ocorrências no interior do Pará, o que mostra mais uma vez a audácia dos criminosos e a ineficiência da segurança pública, ao contrário do que o Governo diz nas suas propagandas”, destacou Gilmar Santos, diretor de saúde do sindicato.
Conforme as informações dos moradores de Uruará, fornecidas ao Diário, pelos menos dez homens armados com fuzis e metralhadoras invadiram as agências do Banco da Amazônia e Banco do Brasil ao mesmo tempo, na última quarta-feira. Os assaltantes destruíram as portas de vidro com vários tiros. Na fuga, eles usaram três carros - modelo caminhonete cabine dupla - onde entraram na cidade com as armas em punho, usadas para provocar o pânico nas agências.
PREJUÍZOS
Ainda de acordo com Gilmar, as instituições bancárias não contabilizam prejuízos, já que todas as agências têm seguro, assim, o maior perda é por parte da população. “No final, quem acaba pagando a conta são os contribuintes, os usuários em si, pois os roubos em nada afetam os donos dos bancos. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os bancos tiveram um lucro de 18 bilhões, e por isso, não há uma preocupação, nem deles, e nem do governo”, destacou.
Quando um funcionário passa por um assalto, ele tem direito a tratamento, como forma de preservar a saúde mental do trabalhador. As consultas com psicólogos ou psiquiatras é um procedimento que deve ser habitual, já que além da ação nos bancos, muitos deles são sequestrados. “As consultas com um profissional de saúde especializado é um procedimento de praxe quando há esse tipo de crime, que pode ser considerado um acidente de trabalho. É dever de empregador preservar a saúde do funcionário, assim, prevenindo doenças futuras em virtude do trauma que inevitavelmente fica, mas temos uma falta de assistência”, argumentou Santos.
“O problema não é dinheiro. É a saúde do trabalhador, que muitas vezes não pode nem passar na frente de um banco. Após os assaltos, eles têm 15 dias para verificar as sequelas. Se os médicos avaliarem que precisa de mais dias, depois do trigésimo primeiro, eles têm perdas salariais e ficam sem receber auxílio alimentação. Em casos de gerentes, ou função comissionada, a pessoa após 90 dias afastada, volta ao trabalho como escriturário, ou seja, tem que voltar do zero, do início da sua carreira”, descreveu Gilmar.
Para a população, que também sofre traumas psicológicos e não tem nenhum amparo efetivo, o que resta é tentar retomar a sua vida normal. Uma vez que depois da ação criminosa do bando, a mente das pessoas ainda está focada nas cenas do lamentável episódio. Por outro lado, há de se considerar também as consequências pós-assalto, onde os danos ficam por conta da demora para restabelecer as agências que foram assaltadas.
TIPOS DE CRIMES
Arrombamento
Quando acontecem explosões de agências bancárias e de caixas eletrônicos, sem refém, com o uso de furadeiras magnéticas, maçarico e explosivos.
Sapatinho
A tática dos criminosos em abordar um funcionário e/ou os seus familiares, mantê-los como reféns até que a quantia de dinheiro do cofre dos bancos seja entregue à quadrilha. Geralmente, os gerentes dos bancos são os mais atingidos.
Vapor ou novo cangaço
É a forma mais violenta de assalto de todas as classificadas. É quando os bandidos dominam os policiais de uma determinada localidade ou os seguranças da agência, fazem reféns e atiram para o alto, provocando o pânico na população.
No início do mês passado, foi gravado um vídeo, em Porto de Moz, após o assalto ao Banco do Brasil, com as características do novo cangaço. As imagens mostram a violência e o desrespeito com a vida. No mínimo, oito homens fortemente armados renderam clientes e funcionários da agência. Na fuga, os reféns foram colocados nos para-brisas de dois veículos como escudo humano.
Cronologia de assaltos a bancos em 2015.
(Diário do Pará)
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