A rotina de medo ainda é uma realidade na Grande Belém e está mais presente do que nunca nos últimos meses. A situação alterou a rotina das pessoas, fez prevalecer a máxima que o cidadão de bem não pode mais sentar em frente sua residência ou que sair para trabalhar é não ter certeza de que vai voltar com vida aos braços da família. Aonde quer que se esteja, em casa, na rua ou trabalho o receio de ser mais uma vítima é cada vez mais real. Essa sensação de insegurança começa mais cedo para quem trabalha durante a madrugada. Com ruas totalmente desertas e sem pouco ou nenhum efetivo policias, estes locais se tornam pontos de ação de marginais.
“Sou taxista e trabalho principalmente de madrugada porque eu realmente preciso. Mas, é com o coração receoso de que algo ruim, a qualquer momento, pode acontecer, já que a violência está muito grande. E as coisas só vão piorar, já que não vemos mobilização do Governo para resolver isso, tipo colocar mais policiais nas ruas, pois isso faz falta. Aqui, por exemplo, a policia dificilmente passa”, disse o taxista Sebastião José.
A insegurança também está presente entre os trabalhadores do complexo de feiras do Ver-O-Peso. O ponto turístico que é conhecido pela agitação desde as primeiras horas do dia, entre feirantes e consumidores, e contar com uma base fixa da PM, ainda assim já foi palco de diversos homicídios e de constantes ocorrências de assaltos contra os frequentadores do local.
“Temos policiamento aqui, mas não impede a ação dos bandidos aqui no Ver-O-Peso, que na verdade são bem frequentes essas ocorrências. Mas, se não estamos seguros nem dentro de casa, imagina aqui que estamos mais expostos”, ponderou um feirante que não quis se identificar.
Funcionários de postos de combustíveis também vivem essa tensão, onde a aproximação de qualquer veículo para abastecer no estabelecimento se torna motivo para esperar o pior. “Com essa onda de crime na cidade, desconfiamos da própria sobre, e aqui no trabalho desconfio até dos clientes. Não sei, ficamos tensos e parece que a qualquer momento algo de ruim vai acontecer, como um assalto que leve toda a renda aqui do posto e eu ainda seja morto”, disse um frentista que preferiu não revelar a identidade.
Nesse contexto, “atípico” seriam dias de paz neste cenário em que o medo domina. “Quem dera se tudo estivesse em paz, onde a gente tivesse a certeza de voltar vivo para casa. É uma realidade longe de acontecer”, concluiu o taxista Sebastião José.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar