Três dias após ter sofrido uma tentativa de assalto que ganhou ampla repercussão na mídia local devido o episódio ter sido registrado por câmeras de segurança, a jovem Bianca Nunes dos Santos, 19, não consegue esconder o nervosismo ao relatar o que passou no último sábado (20). Aquela era mais uma manhã, um dia comum, para a estudante que fazia o mesmo trajeto para ir de sua casa até um cursinho pré-vestibular, localizado na avenida Alcindo Cacela, em Belém.
Assista no DOL a abordagem dos assaltantes!
Seguindo a rotina que faz todos os dias, Bianca saiu de sua residência, localizada no bairro da Sacramenta, em direção ao ponto de ônibus, na avenida Pedro Álvares Cabral. Porém, na metade do trajeto, a estudante foi surpreendida por dois homens em uma motocicleta que a abordaram para levar seus pertences. O episódio ocorreu por volta das 6h30. Diante do susto, a jovem acabou reagindo de forma inesperada à ação dos criminosos, como ela mesma conta.
“Estava a caminho do cursinho, mas não percebi ninguém se aproximando nem mesmo o barulho da moto. Estava completamente distraída. Eles vieram por trás e me fecharam. O que estava na carona desceu. Eu estava com a mochila só em um dos ombros e ele puxou a uma das alças. Em nenhum momento eles mostraram armas, então imaginei que não tivessem armados e fiquei segurando a bolsa. Foi tudo tão rápido que acabei não percebendo o que estava acontecendo. Eu continuei segurando a mochila e ele subiu na moto e eles saíram. Eles acabaram me arrastando e eu comecei a gritar porque não havia ninguém na rua. As pessoas começaram a aparecer e acredito que eles tenham se assustado e foram embora”, lembra.
Bianca disse que os assaltos são frequentes na área onde mora. Para ela já é algo comum, mas revela que não esperava passar por aquela situação. “Já fui assaltada duas vezes, mas nunca tinha reagido. Sou muito calma, mas acredito que a minha reação foi devido ao susto porque das outras vezes anunciaram o assalto. Desta vez, eles chegaram puxando a minha mochila. No primeiro momento foi impulso, mas depois que percebi que não estavam armados eu continuei segurando pensando nos meus livros que tinha acabado de comprar. Na mochila tinha uma pasta, um caderno, livros e documentos. Na mochila não levo nada de valor, pois aqui é muito perigoso. O meu celular estava no cós da minha calça comprida”, disse.
A vizinhança socorreu a jovem e um mototaxista a levou até a sua residência. Bianca conta que chegou em casa “chorando e tremendo” e com ferimentos em um dos braços. A jovem foi amparada pelos familiares e repreendida pela mãe ao contar sobre a sua reação. Mesmo depois do susto, ela ainda foi ao cursinho naquele dia. E quando retornou para a casa, o padastro de Bianca a aconselhou a ir fazer o boletim de ocorrência.
“Só vi o vídeo à noite, quando cheguei em casa. Não sabia que tinha sido gravado pelas câmeras de uma das casas. Me assustei porque parecia ser outra pessoa naquela situação, porque, para mim, aconteceu tudo muito rápido. E no vídeo parecia uma eternidade. Meu padastro já tinha ido à delegacia e foi comigo fazer o B.O. Também fiz o exame de corpo de delito. Na hora que aconteceu não achei que valeria a pena fazer o B.O porque não tinham levado nada. Era só mais um assalto. Aqui onde eu moro é uma coisa comum. Quase todos da minha família já foram assaltados. Se não tivessem filmado não teria tido toda a repercussão que ganhou”, avalia.
A rotina da jovem mudou depois do assalto. A estudante disse que a mãe não a deixa mais sair sozinha de casa. “Pegava o ônibus na Pedro Álvares Cabral, mas depois disso mudei de parada. Continuo indo para o cursinho, mas só saio acompanhada do meu irmão, do meu avô e meu padastro. Ficamos receosos por acreditar que eles moram aqui por perto. Quando saio do cursinho fico receosa. É uma sensação de insegurança. Percebi que isso pode acontecer com qualquer um, em qualquer hora e local. E à noite, quando vou dormir, fico pensando no que aconteceu”, lamentou.
Mas para Bianca não há outra solução a não ser lidar e superar o que aconteceu. “Eu sou uma pessoa muito calma. Não sei o que me deu. Fico até com medo da minha reação. Levei uma bronca da minha mãe porque ela disse que poderia ter acontecido alguma coisa comigo. Mas eu estou bem, estou viva e espero que isso não aconteça mais”, assegura.
(Diário do Pará)
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