Após dois meses de investigações do setor de Inteligência Policial do Departamento de Trânsito do Estado (Detran), foi realizada, na manhã de ontem, em parceria com as Polícias Civil e Militar a operação “Lacre”, na área externa do órgão, localizada na rodovia Augusto Montenegro, em Belém.
Segundo informações de Pery Neto, diretor da delegacia da Marambaia, era efetuado um esquema de oferta de serviços por pessoas que não possuíam nenhum vínculo com a instituição, mas conheciam e tinham contato de servidores que trabalham no órgão. “Ao invés de enfrentar todo o trâmite normal, o qual todo cidadão passa, era oferecido, do lado de fora do Detran, um serviço mais rápido em troca de algumas quantias em dinheiro”, afirmou.
Ainda segundo o delegado, seis pessoas foram detidas, entre elas Patrício Siqueira Barros, 41 anos, autuado em flagrante por tráfico de influência. “Ele (Patrício) foi flagrando quando recebeu o dinheiro de um usuário do Detran, prometendo fazer uma vistoria, que foi realizada. O suspeito pegou R$ 50, sendo flagrado na posse de R$ 20, ou seja, 30 ele passou para alguém lá dentro”, explicou. Após ouvir o depoimento de todos os suspeitos, a polícia seguirá com um inquérito policial para investigar quem são os servidores envolvidos na ilegalidade. Patrício permaneceu detido, pois o crime por ele cometido é inafiançável.
Além das detenções, também foram apreendidos lacres, placas, chaves de fenda, arames, tesouras, alicates, adesivos, capas de veículos, tarjetas e extintores. Os policiais encontraram, ainda, com os suspeitos, dinheiro, uma quantidade expressiva de documentos de veículos e vistoria, além de aparelhos celulares. De acordo com o delegado, os lacres apreendidos podem ter saído de dentro da instituição ou serem produtos de furto ou roubo.
A polícia vai identificar, por meio da numeração, a origem dos lacres e os seus proprietários que serão chamados para prestarem depoimento.Em nota, o diretor geral do Detran, Nilton Atayde, ressaltou o compromisso e o apoio no combate a qualquer irregularidade ou crimes cometidos por terceiros ou servidores da instituição. “Não vamos admitir esse comércio de produtos que só podem ser adquiridos dentro do órgão. Por isso solicitamos o apoio da polícia para nos ajudar a identificar quem são as pessoas envolvidas e acabar com esta situação”, frisou o diretor.“Pedimos também a parceria dos nossos usuários para combater este tipo de crime e orientamos a população a jamais aceitar serviços e produtos oferecidos fora de qualquer agência do Detran no Estado”, acrescentou.
(Diário do Pará)
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