O bairro do 40 Horas, em Ananindeua, assim como muitos outros da região metropolitana de Belém (RMB), convive constantemente com a falta de segurança vivida pelo Estado. Os moradores do local, que são os principais reféns da situação, reclamam dos frequentes casos de assaltos na área, em que muitos desses, de acordo com eles, acontecem em consequência do intenso tráfico de drogas. Mas, a principal manifestação é pela ausência de policiamento no bairro.
A reclamação dos moradores do 40 Horas ganhou mais força com o assassinato de Olavo Matias Pinheiro, 61 anos, na noite de anteontem. De acordo com relato do delegado Marco Antônio Pitman Machado, da Unidade Integrada Pró Paz (UIPP) do Icuí, onde o crime foi registrado, o idoso foi perseguido por um homem não identificado que ao alcançá-lo aproveitou o fato da falta de energia no bairro para matar a vítima com três tiros na Rua São Francisco, na ocupação Loteamento 21 de agosto.
As causas do crime e a identidade do autor do homicídio seguem sendo um mistério para a polícia. “Não fazemos ideia de quem cometeu o assassinato contra esse senhor de idade, já que assim como o autor se aproveitou da falta de energia para cometer esse crime, ele também se aproveitou dessa situação para fugir do local”, disse o delegado Marco Antônio Pitman.
Ele acrescentou que algumas informações sobre a suposta motivação para o crime já foram coletadas, porém ainda não se chegou a qualquer conclusão.
Enquanto o crime segue sendo um mistério para a polícia, moradores denunciam a insegurança vivida no bairro do 40 Horas. “É muito perigoso aqui no nosso bairro. Como pode esse homicídio acontecer enquanto crianças e adultos estavam na rua?”, questiona Paulo José, 44 anos, 15 deles vividos no 40 Horas.
Segundo ele, é grande o risco das pessoas serem vítimas de balas perdidas ou da violência de assassinos, que, mesmo diante de várias testemunhas, mataram o idoso sem pena. Outro morador do bairro, Renato Silva, de 58, vai mais além. Ele chama a atenção para o tráfico de drogas, que seria intenso.
“Sabemos de muita história de tráfico aqui no 40 Horas e, por causa disso, quem é usuário faz o que pode para sustentar o vício. Por causa disso, acontece muito assalto aqui, além de casos de morte”, informou o morador. os traficantes da área estão sempre disputando “pontos de vendas” de drogas e colocam todos em situação de risco.
FALTA POLICIAMENTO
“Temos esse problema da insegurança, mas pouca combatividade para isso, principalmente a falta da Polícia Militar, que não faz rondas constantes por aqui”, O relato é de um terceiro morador do 40 Horas, Sérgio Dias, de 66 anos. Para ele, a falta de saneamento e iluminação contribuem para a ação dos criminosos, que, aliados dos problemas estruturais, “deitam e rolam” na impunidade.
A assessoria de comunicação da Polícia Militar informou, por meio de nota, que “a região do 40 horas é coberta com rondas policiais permanentes (24h), por meio de viaturas e também com operações de prevenção”. A nota garante ainda que os policiais também fazem fiscalização de veículos e revistas em suspeitos.
(Diário do Pará)
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