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POLÍCIA

Criança é morta com tiro pelas costas

Antes de dormir, ele virou pra mim e para a mãe dele e disse: ‘te amo, pai, te amo mãe’. Isso é de cortar o coração”. Emocionado, Thiago Miranda de Souza, 24, anos, lembra as últimas palavras ditas pelo único filho, Thalles Felipe dos Santos de Souza, de

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Antes de dormir, ele virou pra mim e para a mãe dele e disse: ‘te amo, pai, te amo mãe’. Isso é de cortar o coração”. Emocionado, Thiago Miranda de Souza, 24, anos, lembra as últimas palavras ditas pelo único filho, Thalles Felipe dos Santos de Souza, de 3 anos, antes de ele dormir. A frase dita pelo menino deve ecoar na mente do jovem pai ainda por muito tempo, pois ele não imaginava que seria a última vez que escutava a voz do pequeno.

O menino Thalles foi uma das vítimas da covardia e brutalidade de homens armados que atiraram várias vezes pela janela do kit-net onde ele e os pais, Thiago e Luzia dos Santos, 24, dormiam na madrugada da última quinta-feira (03). Seria a primeira noite do casal após uma reconciliação, naquela casa onde a mulher já estava morando há uma semana.

Thiago conversou com a reportagem ontem sobre o atentado. Ele se recupera dos tiros que atingiram as pernas dele. Ele diz que teria sido confundido com traficantes. “Era umas 4h da madrugada quando me espantei com os latidos dos cachorros. Tava todo mundo dormindo. De repente começaram a empurrar a janela. Empurrei de volta para tentar segurar. Mas eles [criminosos] arrombaram, enfiaram o cano da arma por debaixo e começaram atirar. Foram muitos tiros, acho que descarregaram a arma”, relata. Tudo aconteceu no primeiro casa de madeira, em uma vila localizada no bairro União, em Marituba, região metropolitana de Belém. Para ele, a família foi vítima de um atentado equivocado. “Não deu pra ver quem era. Mas o que sei é que a antiga moradora era traficante”, acrescenta o pai da criança.

O rapaz, que trabalha como mototaxista, e a esposa foram atingidos nas pernas. Já o pequeno Thalles, foi baleado nas costas. A criança chegou a ser socorrida, assim como os pais, por vizinhos até o Hospital de Urgência e Emergência de Marituba. No entanto, não resistiu mais que uma hora.

Thiago e Luzia foram transferidos até o Hospital Metropolitano, em Ananindeua. A mulher continua internada sem previsão de alta. O menino era o filho mais novo de Luzia e o único do rapaz. O caso foi registrado na Seccional Urbana de Marituba. De acordo com o diretor daquela unidade de Polícia Civil, delegado James Moreira, ainda não há pistas sobre os criminosos, porém, com os depoimentos do casal, familiares e amigos das vítimas, a linha de investigação já está sendo traçada.

“O casal diz que não reconhece os criminosos. Estamos investigando, mas acreditamos ser um crime ligado ao tráfico de drogas”, diz. Apesar de negar possuir qualquer desavença ou mesmo envolvimento com o crime, o delegado afirma que “Thiago teria dito que quando adolescente, teve problemas na DATA. Este ano, foi detido por andar com moto com placa adulterada. Pelas características, deduzimos que possa haver alguma ligação com a criminalidade da região”, reforça James.

NADA DE BARULHO

Vizinhos afirmaram ainda, ao delegado, que não ouviram barulho de motocicleta ou mesmo carro durante a madrugada, o que seria notório devido a rua não ser asfaltada. Ontem à tarde, o corpo do menino foi velado em uma igreja evangélica localizada na rua da Cerâmica, bairro São Francisco, em seguida, o sepultaram em um cemitério próximo. Familiares e amigos lamentaram a morte cruel de Thalles. “É uma dor muito grande. Meu terceiro netinho. A gente nem sabe o que pensar nessas horas. Uma criança indefesa. Uma covardia”, comenta Odeleia Miranda de Souza, avó paterna.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

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