Diante da escalada de violência na cidade, sem que o poder público compareça com ações efetivas, membros da sociedade de Abaetetuba apresentaram ontem aos vereadores da cidade, na Câmara Municipal, uma carta com diversas reivindicações, na expectativa de que os pontos levantados por eles sejam de fato levados a sério. Um dos líderes do movimento intitulado “Reage Abaeté”, o professor José Guilherme Gonçalves declarou ao DIÁRIO que esse é um clamor antigo e que nunca teve uma resposta imediata das autoridades. O descaso colocou a cidade, que fica a 2h da capital Belém, no mapa como uma das mais violentas do Estado.
Segundo ele, são constantes as ocorrências de crimes como assassinatos e assaltos na cidade e na região das ilhas. “Até hoje os poderes constituídos não são capazes de dar solução ao problema. O movimento foi criado em janeiro deste ano. Além de exigir mais segurança já fizemos iniciativas em relação a saúde pública e a urgente realização do concurso público municipal”, declarou o professor, de 39 anos, nascido e criado em Abaetetuba.
Entre as principais reivindicações feitas pelo grupo estão a necessidade de reforçar o efetivo policial no município e dar melhor estrutura aos agentes de segurança para combater o crime. Além disso, o movimento sugere ação conjunta e permanente envolvendo forças policiais das esferas federal e estadual com o objetivo de diminuir a ação dos bandidos. Além disso, a população cobra a solução dos crimes praticados na cidade em curto espaço de tempo. A demora no esclarecimento de assassinatos e roubos só faz aumentar a sensação de impunidade, e acaba dando mais combustível para os criminosos atuarem livremente.
Segundo outro morador da cidade, em menos de um mês quatro pessoas foram vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte), e nenhum dos suspeitos foi preso. “A cidade de Abaetetuba está tomada pelos bandidos. As pessoas estão com medo de sair às ruas, o governo municipal tenta esconder a realidade”, desabafou Diogo Bastos Quares, 31 anos, que é professor e administrador. Segundo ele, Abaetetuba não era uma cidade violenta. Mas nos últimos 10 anos esse índice aumentou bastante.
Diogo afirma que quase todos os dias há indícios de que uma pessoa foi assassinada e que a população, diante disso, teve que mudar seus hábitos para não engrossar as estatísticas policiais. “As pessoas estão perdendo o hábito de sentar à porta, porque quase sempre são assaltadas. Todos aqui têm uma história de alguém da família ou amigo que já foi assaltado. As pessoas andam o tempo todo sobressaltadas”. Ele conta que, nos locais em ocorrem as aulas de cursos técnicos e em outras faculdades, os alunos são liberados sempre 40 minutos antes do turno da noite, quando os assaltos ocorrem com maior frequência.
(Diário do Pará)
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