As estatísticas revelam que a cada mês, no ano de 2015, se perde um policial militar para a violência desenfreada que assola o Estado do Pará. De 1 de janeiro a 10 de outubro, 10 policiais militares perderam a vida deixando famílias enlutadas.
Entidades que defendem Direitos Humanos, no mundo inteiro, apontam vítimas de ações policiais no Brasil e se esquecem ou fazem vistas grossas quando se matam policiais no país. O enfrentamento da criminalidade no Estado do Pará não pode ser realizado violando o direito essencial à vida, inclusive dos policiais que também morrem nessa guerra diária, sendo necessário avançar em programas que protejam a sociedade e garantam os direitos de todas as pessoas.
Mesmo tendo um controle emocional diferenciado, uma preparação física desejável e a capacidade de lidar com situações adversas, nossos policiais não estão preparados para enfrentar a guerra urbana que se transformou o Pará nos últimos anos. No sábado, 10, véspera da festa maior do povo paraense, o Círio de Nazaré, o soldado Ademir Junior, lotado no Batalhão da Polícia Militar no município de Abaetetuba, foi a décima vítima a entrar para as estatísticas de policiais militares mortos pela ação de criminosos que atuam em bairros da periferia de Belém.
São eles os policiais militares mortos no Estado do Pará em 2015: soldado Sérgio Alan Moraes Saldanha, assassinado em frente a sua residência no bairro do Tapanã em Belém, cabo Isaias Cirilo Rego, morto durante uma negociação de assalto com reféns no bairro da Cabanagem, em Belém, cabo José Roberto Lobato da Silva, assassinado em Barcarena durante um assalto, soldado Augusto Mamede Cardoso, executado com 3 tiros na cabeça quando estava de folga, em um posto de gasolina em Belém e soldado Maycon Wellington Teixeira, assassinado a tiros quando estava de férias na cidade de Teresina, capital do Piauí.
As outras 5 vítimas são o cabo Marco Antônio, executado a tiros no Jardim Sevilha, em Belém, soldado Antônio Edvan Costa, morto a tiros no município de Altamira, durante um assalto, sargento Everaldo Araújo da Silva, atraído para uma emboscada e morto na periferia do município de Altamira, sargento José Furtado, executado com um tiro na cabeça, em crime caracterizado como latrocínio (roubo seguido de morte), na avenida Tucunduba, no bairro do Guamá, e soldado Ademir Júnior executado com tiro na cabeça, dentro de uma van de transporte alternativo, no bairro do Jurunas. A exemplo da maioria dos crimes contra policiais, o soldado Ademir Junior teve a arma roubada pelos bandidos.
A Organização das Nações Unidas prevê um policial para cada 500 habitantes. No Estado do Pará é apenas um policial para cada 2 mil habitantes e cada um que morre, vítima da violência, representa 2 mil pessoas sem atendimento policial. O coronel Neil Duarte, deputado estadual, em pronunciamento na Assembleia Legislativa do Estado, quando do assassinato do sargento José Furtado, há 2 semanas, citou nominalmente os militares assassinados em 2015, cobrando do Governo do Estado e do Ministério Público uma posição enérgica.
“Quantas pessoas deixaram de ser atendidas com a morte desses policiais? Quando se atinge um policial se está atingindo duas vezes a sociedade”, disse o coronel Neil Duarte que cobrou uma Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as mortes de policiais civis e militares no Pará. Indignados com a violência que levou 10 policiais militares este ano para o cemitério, vários colegas de farda dos militares mortos, apoiados por familiares e amigos, lançaram pelas redes sociais a campanha “Não vou ser o próximo”, tentando buscar alternativas para evitar o assassinato de policiais.
(J.R Avelar/Diário do Pará)
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