Diógenes de Araújo Freitas, de 32 anos se apresentou na companhia de um advogado e familiares na Delegacia da Cabanagem, na manhã de ontem, mas não contava que o pedido de prisão preventiva já havia sido deferido pela 1ª Vara de Violência Doméstica de Belém e ali mesmo ele foi preso. Diógenes é acusado de queimar o rosto, braços e seios da esposa, Marcionilde Sousa Freitas, de 38 anos, com um maçarico, após uma discussão.
Na Delegacia, Diógenes falou com a imprensa e tentou justificar o que o levou cometer o ato bárbaro contra sua esposa. Segundo ele, a discussão aconteceu na residência do casal, na noite de sábado (10) e foi presenciada pelo filho, de apenas 9 anos, que testemunhou tudo. “Ela falou que se eu não deixasse tudo eu ia ser morto, porque ela já estava com uma pessoa que tinha influência e que, se eu não largasse tudo, ela ia me matar”, garantiu ele.
Ele falou ainda que o maçarico utilizado para atingir a mulher era usado para queimar documentos e até mesmo para acender fogo para churrasco, que era feito com frequência pela família. O ataque contra Marcionilde, diz ele, foi “acidental”. Ele ainda fez um apelo aos Direitos Humanos, para que o ajudassem. “Se eu morrer dentro da cadeia, já sabem o que está se passando”, acrescentou.
Perguntado se tinha intenção de matar a esposa, Diógenes respondeu apenas que “não tinha a intenção de nada”. O acusado mostrou queimaduras que ficaram nas costas, braços, ombros e pescoço e que teriam acontecido durante a luta corporal que travou com Marcionilde. Ele foi encaminhado para o Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito.
PRISÃO PREVENTIVA
O pedido de prisão preventiva, pelo crime de tentativa de feminicídio, foi solicitado pelo delegado Ocimar Nascimento, na manhã da quarta-feira (14) com o apoio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher e, apenas algumas horas depois, foi deferido pela juíza Rubilene do Rosário, titular da 1ª Vara de Violência Doméstica de Belém. Coincidentemente, Diógenes compareceu à delegacia da Cabanagem na companhia de um advogado e familiares na manhã de ontem (15), para se apresentar espontaneamente. O que eles não imaginavam, é que dali já sairia preso.
“Nós já estávamos com esse documento em mãos e ele recebeu voz de prisão aqui na delegacia. Ele ia tentar se apresentar espontaneamente, achando que iria sair pela porta da frente, mas graças a Deus, com a ajuda do judiciário, conseguimos evitar que isso acontecesse”, disse o delegado Ocimar Nascimento.
Ainda de acordo com o delegado, o acusado afirmou, no depoimento, que utilizou um fio de telefone para estrangular a esposa para que ela “parasse de fazer escândalo”. “Na questão das chamas, ele afirma que foi a vitima que acionou o maçarico que ele mesmo foi pegar no quintal, como a criança falou para a gente em depoimento. E que o maçarico foi acionado acidentalmente, por ela e os dois foram atingidos”, disse ainda o policial civil.
Na Delegacia, a mãe de Diógenes, que não foi identificada, chegou a desmaiar. No entanto ela acreditava na inocência do filho e falava em voz alta que “ela pediu por isso”.
“Ela ficou desorientada com a morte do pai dela, que morreu, no Maranhão. Ela falava que tinha outro homem e ela ia ligar para ele matar (o filho). Ela pegava todo o dinheiro dele e deixava ele sem nada e ainda ficaram 10 anos casados”, disse a mãe do acusado à reportagem do DIÁRIO.
Diógenes de Araújo Freitas será encaminhado para o Centro de Triagem da Marambaia e ficará a disposição da Justiça. Ainda de acordo com o delegado Ocimar Nascimento, o filho do casal se mantém na guarda da avó materna. O caso também está no Conselho Tutelar para que a criança se mantenha na guarda da avó até a recuperação da mãe.
(Emily Beckman/Diário do Pará)
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