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POLÍCIA

Polícia Federal prende dirigente sindical

O presidente do Sindicato dos Pescadores de Ponta de Pedras, Wagner de Castro, que estava foragido, foi preso na última sexta-feira por policiais federais. Ele tinha contra si um mandado de prisão e foi um dos alvos da Polícia Federal na operação Arapaima

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O presidente do Sindicato dos Pescadores de Ponta de Pedras, Wagner de Castro, que estava foragido, foi preso na última sexta-feira por policiais federais. Ele tinha contra si um mandado de prisão e foi um dos alvos da Polícia Federal na operação Arapaima, que foi deflagrada na quinta-feira, 22, com o objetivo de desarticular organização criminosa suspeita de cometer fraudes na concessão do benefício social de seguro defeso ao pescador artesanal.

Wagner de Castro, conhecido na região como Dedé, começou a explorar, de forma fraudulenta, o registro ilegal de pescadores, a partir da criação do sindicato. Segundo pessoas ligadas ao setor no Marajó, que preferem não se identificar, ele aproveitava o bom trânsito que tinha na Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Pará (SFPA/PA), na gestão anterior, para efetivar os registros a partir do uso de senhas fornecidas por servidores do Ministério da Pesca, em Brasília. No início deste ano, já na gestão de Helder Barbalho à frente do Ministério da Pesca, a SFPA realizou reuniões itinerantes nas regiões para recadastrar os pescadores artesanais e constatou que, em Ponta de Pedras, a cada 100 pescadores, cerca de 50 tinham registro falsificado.

Wagner de Castro obrigava os pescadores a dividir os seguros com ele, segundo denúncias. Dedé colocava outras pessas em delegacias sindicatos de cidades da região do Marajó, assim teria amplo controle para continuar praticando o golpe. A atuação da suposta quadrilha não se restringia apenas a Ponta de Pedras. Se estendia a outras cidades do Marajó e da região do Baixo Tocantins. Por conta disso, várias entidades de classe foram prejudicadas por conta da interferência dele.

AJUDA

Wagner atua no município e outras localidades do Estado com a ajuda do radialista Carlos Eduardo Silva Cursino, que trabalha na Rádio Itaguari, de Ponta de Pedras. Recentemente, durante fiscalização, ordenada por Helder, a SFPA descobriu que Carlos também recebe o seguro-defeso, mas não possui processo no Ministério da Pesca e também não apresentou qualquer documento que comprove a sua condição de pescador.

A prisão do acusado pode colaborar para desmontar uma das principais quadrilhas que atuam no Marajó no registro ilegal de pescadores. Carlos Silva é uma das pessoas de confiança da prefeita de Ponta de Pedras, Consuelo Castro (PSDB), a quem defende fervorosamente em seu programa na rádio em que trabalha.

VEREADOR

O vereador da Câmara Municipal de Belém (CMB), pastor Raul Batista, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), tambpem foi preso durante a operação. As investigações apontaram o envolvimento do político, conhedido como pastor Raul, que é aliado do governador Simão Jatene, no esquema com servidores da Superintendência Federal da Pesca no Pará, do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e da Caixa Econômica Federal (CEF). Outra pessoa presa foi Ademir Gonçalves Rodrigues, secretário de Pesca da gestão do prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro.

Ademir é acusado de fraudar registros de pescadores em 2014, quando trabalhava na Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura, por indicação do Pastor Raul. Na quinta, a PF cumpriu 15 dos 18 mandados de prisão temporária expedidos para Belém, Ananindeua e municípios de Cametá, Santa Isabel, Altamira, Mocajuba e Soure, no Marajó.

Membros de colônias e outras entidades de pescadores no Pará eram cadastrados para receber o benefício, que é pago de 4 a 6 parcelas, no valor de até um salário mínimo, dependendo do período do defeso. Neste caso, a SFPA, era responsável pelo cadastramento da pessoa como pescadora. O Sine, por sua vez, dava entrada no requerimento e a Caixa Econômica era o agente pagador. “Identificamos pessoas que não são pescadoras e que estavam cadastradas com datas falsas, retroativas, para que gerasse direito ao beneficio”, disse ao DIÁRIO Gerson França, delegado da PF. Os servidores identificados são de cargos comissionados, terceirizados e efetivos. As detenções devem durar até 5 dias.

(Diário do Pará)

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