Se existia a dúvida se o atual cenário da violência no Pará seria apenas uma sensação de insegurança, ou não, os números ajudam a mostrar que essa situação é real e imediata, o que causa sensação de medo constante nos moradores. A situação alarmante no município de Ananindeua, Região Metropolitana de Belém (RMB), que, de acordo com a pesquisa feita pela organização não governamental, “Instituto Igarapé”, divulgada em maio de 2015, apontou a cidade como a que mais se mata no Brasil. Em números exatos, foram pesquisadas 50 cidades que possuem as maiores taxas de homicídios do mundo. Destas, 22 são brasileiras e Ananindeua teve o destaque negativo, ao liderar o índice de homicídios. Foram registrados 125,67 assassinatos para cada 100 mil habitantes, o que supera marca nacional, de 29 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Se os números comprovam essa dura realidade, num evidente fracasso do governo em promover políticas públicas na área da segurança, a mais afetada com essa situação é a população de Ananindeua, que vive aterrorizada. Estabelecimentos espalhados pelos bairros do município ficam gradeados, como forma os comerciantes se sentirem seguros.
“Aqui no meu salão já vi muito assalto e outros crimes. Muitos estabelecimentos aqui fecharam porque os proprietários não aguentaram serem assaltados com frequência”, informou o cabeleireiro Edimar Fonseca.
O temor dos moradores é tamanho que uma das ruas do município já é conhecida por “Rua da Morte”. A via demarca a fronteira entre os bairros do Guajará e Paar. Como o próprio nome diz, homicídios são comuns na área. “Já aconteceram muitas mortes aqui e a desova dos corpos é feita nos terrenos abandonados que existem aqui na ‘Rua da Morte’. Convivemos com essa realidade, tanto no Guajará quanto no Paar, que são os dois bairros que integram a rua”, declarou Fábio Silva o morador.
Se a situação já é vergonhosa e preocupante, pelo retrospecto recente dá para antever que tão cedo o quadro não vai mudar em Ananindeua. Exemplo disso foi um jovem, identificado como Glebson Sampaio Santa Brígida, 21 anos, assassinado dentro da casa onde morava, no bairro de Águas Brancas, na noite de segunda-feira (20). Além dele, Welington Reis Araújo, 38 anos, foi assassinado com um tiro no bairro do Icuí. Ambos os casos foram divulgados no caderno Polícia, do DIÁRIO.
A assessoria de comunicação da Polícia Militar foi procurada para comentar o assunto, mas até o fechamento dessa edição, não deu resposta.
(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)
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