Enquanto grande parte da população aproveitava o domingo passado, véspera do feriado de Finados, para se divertir e descansar, a família do soldado Victor Lacerda, da Polícia Militar (PM), chorava. Aos 28 anos, o soldado foi morto a tiros, em Medicilândia, sudoeste paraense, durante uma troca de tiros.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito do crime é Rogério Leite, filho do vereador Tião Leite (PSB). Na ocasião, o soldado Lacerda estava a trabalho. Foi morto no exercício da sua missão de defender a população da violência. A mesma violência que acabou lhe tirando a vida. Lacerda foi mais uma vítima da insegurança que parece dominar o Pará e, em especial, a cidade de Belém. A violência e o medo são tamanhos, que nem os próprios policiais se sentem seguros.
Assim como o soldado Lacerda, outros 19 PMs foram assassinados no Pará, só este ano. Como o mês de novembro acabou de começar, chegamos ao alarmante número de 2 PMs mortos a cada mês. É preciso, no entanto, destacar um ponto importante dessa estatística. A maior parte desses policiais estava à paisana no momento do crime. Ou seja, eles não foram mortos por serem policiais militares. Foram mortos simplesmente por viver num Estado que parece dominado pelos criminosos e que não demonstra poder de reação.
Segundo a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará (ACS/PA), dos 20 PMs assassinados, 17 estavam à paisana. Apenas 3 se encontravam em serviço. Além desses, 28 PMs foram baleados. Há uma semana, outro policial já havia sido assassinado, assim como Victor Lacerda. A vítima foi o soldado Pedroso, que pertencia à Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam). Ele estava à paisana no momento da sua morte, que ocorreu durante uma tentativa de assalto, em Belém.
Dias depois, outros 2 PMs foram baleados. Um deles, o sargento Alberto José Rebelo, também da Rotam, encontra-se internado no Hospital Metropolitano. O segundo, o cabo da PM Jackson Douglas, se recupera de um tiro que levou na última sexta-feira (30), após reagir a um assalto em frente a sua casa, em Ananindeua (veja box abaixo).
As estatísticas fazem parte de pesquisa realizada pela Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará e representam, na opinião do presidente da categoria, o sargento Francisco Xavier, uma insegurança generalizada. Segundo ele, é necessário que se faça uma mudança estrutural na legislação, para que se torne possível combater toda essa criminalidade.
CRIMINALIDADE
O sargento acredita que a violência começa nas infrações praticadas por menores e perpassa pela falta de estrutura dos Conselhos Tutelares, até chegar à população de uma forma geral, incluindo os policiais entre as vítimas. “É um círculo vicioso: menores infratores cometem os crimes e são apreendidos. Mas os conselhos não possuem capacitação para esse jovem. Anos mais tarde, já adulto, ele passa a cometer crimes, só que mais graves”, diz o PM.
O sargento destaca, ainda, os casos em que o assassinato do policial faz parte de uma vingança dos criminosos contra os integrantes da PM. E reclama da falta de iniciativa do Governo do Estado. De acordo com o sargento, os Estados fronteiriços ao Pará se uniram para apelar ao Governo Federal por apoio da Força Nacional, ideia fortemente rejeitada pelo governador Simão Jatene. “O comandante da PM até faz algumas tentativas pela Corporação. Mas o secretário de Segurança Pública do Estado não escuta nossas solicitações”, declarou o sargento Francisco Xavier.
(Diário do Pará)
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