Das 11 investigações sobre os assassinatos na chacina de Belém, ocorrida nos dias 4 e 5 de novembro de 2014, somente quatro foram concluídas. Entre elas, a que indica os autores da morte do policial Antônio Marcos da Silva Figueiredo, conhecido como “Cabo Pet” e que teria ocasionado a matança. A polícia diz que 6 homens estariam envolvidos no crime. Desses, 2 foram assassinados e 4 estão presos. Os nomes deles são mantidos em segredo de justiça.
A informação foi dada ontem, na Assembleia Legislativa do Estado (AL), pelos órgãos de Segurança Pública do Estado, em reunião com o Ministério Público (MPE), a Ordem dos Advogados Pará (OAB/ Pa), deputados estaduais e familiares das vítimas. A reunião foi solicitada pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, deputado Carlos Bordalo (PT).
O promotor de Justiça Militar, Armando Brasil disse que já está comprovada a participação de policiais militares nos crime. Ele disse ainda que equipes teriam sido mandadas aos locais para averiguar as ocorrências, porém desviaram caminho. “Nos inquéritos constatamos que houve omissão por parte dos policiais que deveriam atuar no momento”, afirmou Brasil. “Aqueles que deveriam combater o crime ficaram omissos, inertes”. No momento em que a Polícia Civil falaria sobre o andamento das investigações, a impressa teve que se retirar da sala de reunião. Segundo o deputado Bordalo, seriam repassadas informações sigilosas.
PROGRAMA
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representada pela presidente da Comissão dos Direitos Humanos, Luana Tomaz, reforçou a necessidade de amparar as famílias das vítimas. Eles estariam sem nenhum tipo de apoio psicológico e financeiro para o deslocamento às reuniões com as instituições públicas. Luana conta que entregou ao Governo, em 2011, um programa para atender às famílias e às vítimas de violência, mas nenhum retorno foi dado por parte do governador do Estado, Simão Jatene. “Dizem que faltam recursos, mas também falta vontade política”, enfatiza. A advogada diz ter sofrido ameaças e até chegou a registrar Boletim de Ocorrência.
Maria Auxiliadora Galucio, 58 anos, perdeu o neto Eduardo Felipe Galucio Chaves, de 16 anos, na madrugada do dia 5. Segundo ela, o rapaz, morto na Terra Firme era estudante e querido por todos. Até o momento, Maria não tem ideia de quem seriam os culpados pelo crime. “A namorada dele foi chamá-lo para ir até a casa dela. No caminho, ele foi cercado por homens encapuzados que o mataram”, conta ela. “A nossa família está derrotada, destruída. Estamos clamando por Justiça. Nada mais”, declara.
O deputado Carlos Bordalo reforça que as instituições de Segurança Pública continuarão a ser cobradas a dar respostas à sociedade. “Ainda falta a elucidação dos outros inquéritos. Nós precisamos dar uma resposta. A impunidade não pode continuar no Pará”, afirma Bordalo.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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