A marca de sangue continuou no asfalto ainda na manhã de ontem (10), na Travessa Timbó com passagem São Pedro, bairro do Marco. No local, Rafael Ribeiro Figueiredo, de 29 anos, foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) na noite anterior. Ele teve a moto roubada e mesmo assim foi baleado 2 vezes na cabeça. Chegou a ser socorrido por uma ambulância e foi levado ao PSM do Guamá, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu por volta das 23h.
O crime chocou e deixou em pânico os vizinhos de Rafael. Ele morava em um kit-net com a esposa e uma filha de apenas 2 anos, na travessa Mariz e Barros, a apenas 3 quarteirões de onde o crime aconteceu. “Ele sentava toda a tarde aqui em frente da casa dele com a filha”, relatou uma vizinha em conversa com outra, ao lado da casa onde o rapaz morava. Ela preferiu não se identificar. “Às vezes me dava uma vontade de dizer ‘cuidado’, porque a insegurança está em todo canto e infelizmente aconteceu isso com ele”, lamentou ainda a vizinha.
Já na esquina da travessa Timbó com São Pedro, todos comentavam a tragédia. Uma testemunha contou que ouviu sons de 2 disparos de arma de fogo por volta das 21h. Os criminosos eram um casal sobre uma moto .
“Eu ouvi os tiros e aí coloquei a cabeça pro lado de fora de casa e vi a correria. Ouvi quando a mulher perguntou pro parceiro dela ‘Por que tu fez isso? Por que tu fez isso?’, aí ela mesma que pegou a moto do rapaz e saiu pilotando. E o comparsa dela seguiu na moto em que vieram”, relatou uma outra testemunha, que também manteve a identidade em sigilo.
O local onde ocorreu o crime é repleto de pontos comerciais. “Ele vinha aqui sempre comprar remédio. Às vezes ele vinha de moto com a filha na frente, mas ontem (anteontem) ele estava sem a neném. Ele veio, comprou um remédio e saiu. Eu entrei e fui ver novela e logo depois ouvi os disparos e fui ver o que era. Aí ele já estava caído no chão. Foi muito triste”, contou uma comerciante.
Sobre a ronda policial na área ela falou que às vezes vê uma viatura que fica parada em frente a um comércio e logo depois sai. Mas na noite de segunda-feira (09) a passagem da polícia ocorreu apenas uma hora após o crime. “A nossa vida para o crime não vale nada. Quanto está valendo nossa vida? Aqui os comércios tem grades e telas por causa da insegurança, infelizmente”, finalizou a comerciante.
(Emily Beckman/Diário do Pará)
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