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POLÍCIA

Três detentos ficam feridos após motim em presídio

Uma tentativa de resgate terminou com 3 detentos feridos a tiros, no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), em Marituba, segundo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe). A tentativa começou por volta das 4h30 da madrugada de ontem

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Uma tentativa de resgate terminou com 3 detentos feridos a tiros, no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), em Marituba, segundo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe). A tentativa começou por volta das 4h30 da madrugada de ontem, mas foi frustrada pela intervenção de homens da Ronda Tática Metropolitana (Rotam), Companhia de Operações Especiais (COE), Tático e Batalhão de Choque da PM, que invadiram a unidade prisional e trocaram tiros com os internos. A confusão durou 5 horas e deixou os parentes dos presos, que esperavam por notícias em frente ao local, desesperados por causa dos tiros dentro do presídio.

De acordo com um tenente da Polícia Militar, que pediu para não ser identificado, a tentativa de resgate foi feita por 15 homens, que chegaram ao presídio em carros e motocicletas. “Os policiais militares que fazem a segurança aqui no presídio perceberam a presença dessa quadrilha e interceptaram a ação deles. Os detentos chegaram a usar escadas de longo alcance, parecidas com as de trabalhadores de empresa de energia elétrica, mas foram frustrados pelos policiais, que pediram o apoio do Choque, COE, Rotam e do Tático e fizeram eles fugir”, disse o oficial da PM.

Após a fuga da quadrilha, as equipes de militares entraram no PEM I, mas foram surpreendidas pelos detentos, que armados de pistolas, atiraram contra os policiais. “Os efetivos da PM entraram no presídio para fazer a averiguação se houve fuga dos detentos também, mas eles surpreenderam a nossa ação por terem armas, que não sabemos se foram deixadas pela quadrilha que tentou resgatar eles. Por isso, tivemos que atirar contra eles”, completou o tenente.

Do lado de fora do presídio, era possível ouvir o barulho dos tiros e os gritos de ordem dos policiais. Os detentos atearam fogo em uma sala. Aos poucos, parentes dos presos chegavam ao local e, transtornados, queriam notícias. “Eu estou desesperada. Me disseram que meu marido levou um tiro na cabeça e que outros presos também foram atingidos e estão bastante feridos. Quero só saber qual o estado de saúde do meu marido”, disse, aflita, Ivanilde Pinheiro.

A situação de guerra dentro do PEM I, após a frustração da tentativa de resgate, também foi confirmada pelos próprios detentos. A equipe de reportagem do DIÁRIO conseguiu falar com um preso, através do celular da esposa dele. Detalhe: o uso de celulares não é permitido a detentos no presídio. “O que eles estão querendo aqui dentro é derramar o nosso sangue. Houve sim uma tentativa de resgate, mas não deu certo, e agora os PMs entraram aqui e ‘tão’ atirando contra nós. Até atingiram uns presos aqui dentro”, disse o detento, que não quis se identificar.

SITUAÇÃO CONTROLADA

Por volta 10h45, o coronel PM Willians Chagas, diretor do Núcleo de Administração Penitenciária da Susipe, afirmou que a situação já estava controlada dentro da unidade e que no momento acontecia a revista geral, como contabilidade de presos, levantamento de armas e de número de feridos. Mas ele afirmou que não houve mortos. “Não há nenhum preso ferido gravemente e não há mortos. Também não houve nenhum refém durante a ação”, falou.

O coronel também disse que houve troca de tiros dentro da unidade durante a tentativa de resgate e que a Polícia Militar “revidou a altura”. “É possível que haja armas lá dentro e foi uma ação iniciada pelos presos. Foi uma tentativa de fuga com apoio externo de carros e pessoas fortemente armadas, que tentaram um resgate audacioso. A PM já estava aqui de prontidão, reagiu e frustrou o plano de fuga deles”, disse o coronel Willians Chagas à imprensa.

OUTRA TENTATIVA

A tentativa de resgate de detentos no PEM I é a segunda situação parecida em exatas 2 semanas. No último dia 12 de novembro, uma quadrilha fortemente armada investiu contra o Complexo Penitenciário de Americano, em Santa Izabel, para também resgatar presos. Na ocasião, 2 senhoras japonesas, que passavam em frente à penitenciária, na BR-316, foram baleadas e mortas, numa grande evidência do fracasso da segurança pública no Pará.

Em relação ao PEM I, o descaso com o problema também está evidente com a superlotação da unidade. Segundo a assessoria de imprensa da Superintendência do Sistema Penal do Pará (Susipe), a penitenciária tem capacidade para 404 detentos, mas abriga atualmente 755 custodiados.

(Alexandre Nascimento e Emily Beckman/Diário do Pará)

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