Vinte e um tiros de pistolas. Quatro jovens. Três mortes. Em todos os crimes, os autores estavam encapuzados, utilizaram carro de cor prata (modelo ainda não foi identificado) e armas de uso exclusivo das polícias Civil e Militar. Apesar de que ainda não tenha sido confirmado pelas autoridades policiais, que os crimes que aconteceram em menos de duas horas, no último sábado, na região metropolitana de Belém, estejam relacionados, os criminosos registraram suas marcas. Há várias semelhanças entre os casos. Mas até o momento, nenhum dos autores foi preso.
O primeiro a ser assassinado foi o adolescente Jhonatan Lobato, de 16 anos. Por volta das 12h30, o rapaz seguia até a feira da Cabanagem para comprar cheiro-verde, a pedido da mãe, mas antes de chegar ao destino, ainda na rua Damasco, próximo da rua Benjamin, dois veículos pararam na direção de Jhonatan. “Eram 4 homens encapuzados dentro de um corsa prata. Chegaram a descer e foram em direção ao rapaz. Ele não teve chances de defesa”, comentou o sargento Leonel, do 24º Batalhão da Polícia Militar. Outro carro, de cor vermelho, apontado por possíveis testemunhas, também estaria dando apoio aos criminosos.
BALEADO
Segundo o policial militar, minutos antes, outro rapaz, ainda não identificado, foi baleado na rua Henrique Dias, com a avenida Independência, pelos mesmos criminosos que atiraram Jhonatan. Mesmo ferido, a vítima conseguiu escapar. Ainda não se sabe para qual hospital foi levado e se sobreviveu. “Aqui é uma área de difícil acesso. Imperam a lei do silêncio e o tráfico de drogas”, acrescentou o sargento Leonel.
Familiares de Jhonatan estavam inconformados com a morte do rapaz. A mãe, que não quis ser identificada, disse aos policiais civis que o filho não era envolvido com a criminalidade, não seria usuário de drogas e que desconhecia sobre possíveis ameaças. Peritos criminalísticos constataram que o adolescente foi morto com seis tiros disparados por pistola ponto 40, que atingiram todo o corpo: rosto, peito, costas, pescoço, pernas e braços.
PARQUE VERDE
Duas horas depois, em uma das vias mais movimentadas da cidade, o mototaxista Rafael Patrick Lima Gomes, de 24 anos, foi assassinado a tiros. A vítima teria parado para almoçar em um restaurante na rodovia Augusto Montenegro, esquina com a rua das Palmeiras, próximo ao ponto onde trabalhava, em frente ao conjunto Tapajós.
Mesmo diante de várias pessoas que também estavam naquele estabelecimento, o criminoso que estaria dentro de um veículo prata, juntamente com outros homens, não se intimidou: desceu com o rosto coberto e, com a arma na mão, chamou pelo apelido da vítima, em seguida, atirou várias vezes.
“O assassino estava encapuzado, usava luva e com a arma em punho, desceu do carro, chamou por ‘Pato’ e no momento em que ele virou para atender, o criminoso atirou. Várias pessoas estavam almoçando aqui”, disse o cabo Warner Cabral, do 24º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com o militar, a vítima não costumava andar sem a motocicleta. Mas naquela tarde, por volta das 13h30, deixou o veículo estacionado no ponto de mototáxi e foi a pé até o restaurante almoçar. “Talvez ele tenha sido morto por engano. Família disse que ele não tinha passagem pela polícia”, acrescentou o policial. O delegado Rui Porto, morador daquele bairro afirmou que conhecia a vítima e não acredita que o rapaz teria sido morto como alvo da criminalidade. “Ele era trabalhador. Nunca vi nada que pudesse desabonar a vida dele”, comentou.
Testemunhas teriam visto também dois veículos durante a ação criminosa: prata e outro preto. Até o momento, ninguém foi localizado. Peritos afirmaram que Rafael foi morto com seis tiros de pistola, possivelmente de 380: na cabeça, peito, costas e braço.
OUTRA VÍTIMA
A poucos metros da rodovia Augusto Montenegro, Jhonatan Maicon Nunes Pimentel, de 22 anos, foi assassinado com 9 tiros em frente a casa onde morava com a companheira, na passagem Antônio Pena, na ocupação Benedito Monteiro, localizada ao lado do conjunto Tapajós.
De acordo com o cabo Salomão, do 24º Batalhão da Polícia Militar, dois veículos: prata e vermelho, teriam se aproximado daquela rua, mas somente o prata estacionou na porta da casa de número 34, da casa da vítima. O criminoso teria chamado pelo nome de Jhonatan. No momento em que se aproximava do atirador, recebeu vários tiros. “Ele não tinha antecedentes criminais, mas às vezes entra no mundo do crime e nunca é preso”, completa Salomão.
A irmã estava desesperada. Familiares teriam comentado aos policiais civis da Divisão de Homicídios que o rapaz vendia drogas. A vítima era conhecida como “Jhon”, morava há três meses com uma adolescente de 17 anos, em uma pequena casa de apenas um compartimento.
Segundo o perito criminal Ivanildo Rodrigues, Jhonatan foi assassinado com 9 tiros que atingiram pescoço, peito, cabeça, perna e costas. Além disso, um cartucho de pistola ponto 40, outro de 45, foram encontrados na casa e próximo ao corpo do rapaz.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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