As clínicas médicas existentes na Região Metropolitana de Belém têm sido procuradas por um público que não é o que busca pelos serviços desses locais. “Clientes” nada bem-vindos, assaltantes fazem desses estabelecimentos alvos de suas ações, e, com arma em punho, atentam contra a vida de funcionários e pacientes. A confirmação do surto de assaltos a clínicas ficou bem evidente neste mês de dezembro, pois, somente nesta primeira quinzena, foram registrados 3 assaltos, em mais um sinal do fracasso da segurança pública no Pará.
TERROR
O 1º caso aconteceu no início de dezembro, quando 2 homens invadiram uma clínica particular, localizada no conjunto Panorama XXI, na Rodovia Augusto Montenegro, em Belém.
Um funcionário do estabelecimento, que pediu para não ser identificado, relembra os momentos de terror vividos nas mãos dos suspeitos. “Eles entraram pela porta da frente e logo anunciaram o assalto. Um deles disse; ‘é um assalto, todo mundo deita no chão. Quem se mexer vai morrer, ainda mais que estou doido para matar um’. Além disso, eles ainda agrediram alguns pacientes e a gerente da clínica”, disse o funcionário.
Quase duas semanas depois, outras duas clínicas foram assaltadas num intervalo de apenas 24 horas. No dia 15 de dezembro, novamente 2 homens invadiram uma clínica de diagnósticos, que funciona anexo a um hospital particular, no bairro de São Brás. Na ação, eles roubaram aparelhos eletrônicos do estabelecimento, além de documentos e dinheiro das vítimas que estavam sendo atendidas no local e conseguiram fugir antes da chegada da polícia.
No dia seguinte, 1 homem e 1 adolescente de 17 anos, fizeram o funcionário de uma clínica odontológica, localizada na Avenida Senador Lemos, no bairro do Telégrafo, refém, munidos com uma arma calibre 38. Para se proteger, a dona do estabelecimento conseguiu se esconder no banheiro. Após negociação que durou cerca de uma hora e 30 minutos, os suspeitos se entregaram à Polícia Militar (PM).
Os 3 casos citados, são apenas alguns dos muitos que têm acontecido na cidade. A situação preocupa os estabelecimentos, sobretudo, os funcionários e pacientes. “Estivemos na mira do revólver de 2 bandidos que não tinham nada a perder. Eles queriam dinheiro de qualquer jeito, nem que custasse a minha vida e dos clientes que estavam na clínica no dia do assalto. Não tem como tirar isso da cabeça e vim trabalhar tranquilo, já que a situação foi traumatizante”, declarou o funcionário da clínica assaltada na Augusto Montenegro.
CLIENTE É O PRINCIPAL ALVO
Os assaltos a clínicas é um problema conhecido pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Pará (Sindesspa). “Essa era uma modalidade que quase não acontecia. Mas agora, com essa onda crescente da insegurança em Belém, as clínicas ou consultórios de saúde passaram a ser também alvos de assaltos. Ainda mais nesse período de Natal e fim de ano, isso tende a aumentar ainda mais”, disse Breno Monteiro, presidente do Sindesspa.
Ainda segundo o Sindesspa, o alvo dos assaltantes não são necessariamente as clínicas, e sim os pacientes presentes nos estabelecimentos. “As clínicas não são o alvo porque não trabalham com dinheiro, muitas atendem planos de saúde. Na verdade, o alvo deles são os pacientes e uma prova disso é que essas ocorrências acontecem em horário comercial. Mas é claro que eles aproveitam a situação para levar alguns itens das clínicas, já que estão ali para assaltar”, completou Breno Moreira.
Independente do alvo, as ocorrências têm acontecido e os meios para se enfrentar esse problema partem das próprias clínicas, devido à deficiência do Governo em promover segurança. “Não conseguimos ter do Estado nada eficiente em combater a insegurança. Então, as próprias clínicas investem cada vez mais em equipamentos como câmeras de segurança, segurança privada e outros, que são até onerosos, mas ajudam os estabelecimentos a ter tranquilidade”, concluiu o presidente do Sindesspa.
Esse investimento é mesmo aplicado pelas clínicas da cidade, além de um sistema mais exigente ao acesso de clientes, já que os assaltantes se passam por clientes. “Ampliamos o número de câmeras de segurança, para tentar inibir a ação dos bandidos. Tivemos também de controlar mais a entrada de pessoas na clínica, mesmo que isso cause desconforto a elas, pois não sabemos quem elas, de fato, são”, declarou a gerente de uma clínica, que não quis se identificar.
INSEGURANÇA GERAL
O assalto a clínicas médicas, locais em que era pouco provável que isso acontecesse, é apenas mais um agravante do caos da segurança pública vivida no Pará. Elas se juntam a escolas, postos de saúde, residências e até igrejas, que já eram alvos de ações criminosas. Uma situação sem controle, que se torna inimaginável até onde e quem mais se tornará alvo da insegurança.
“Já perdi a esperança que a insegurança termine. Do jeito que estamos, só vejo as coisas piorarem, tanto pelo motivo da audácia dos bandidos como pela falta de assistência do Governo com esse problema. Se não tem ação que combata isso, principalmente com poucos policiais, é claro que a violência só vai aumentar. Nesse caso, só resta Deus em nossas vidas”, concluiu Ronaldo Silva, 44 anos, taxista.
(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar