As ocorrências de tentativas e os consumados assaltos e sequestros nas agências bancárias no Estado do Pará parecem não ter fim. O caso mais recente foi na tarde de segunda-feira (04) no município de Concórdia do Pará, na região nordeste do Estado, que provocou momentos de pânico a funcionários e clientes. Em dados fornecidos pelo Sindicato dos Bancários do Pará, só no ano passado 38 casos espalhados pelo Estado foram confirmados, dentre assaltos, explosões e sequestros, e mais 19 tentativas, somando então 57 ocorrências contra os bancos do Estado. Em 2014, foram 54 crimes contra as agências. A situação mais delicada foi a morte de um funcionário após uma tentativa de assalto em uma agência bancária no município de Trairão, no sudoeste paraense.
Para a presidente do Sindicato, Rosalina Amorim, a insegurança acaba sendo um fator negativo para os funcionários, pois vários acabam sendo afetados psicologicamente pelos casos de violência nas agências. Para a sindicalista, o ano de 2015 acabou não tendo muitas mudanças em relação ao de 2014 se comparado a área da segurança. “É complicado ir trabalhar pensando no perigo à nossa volta. Principalmente quando se tem vários incidentes destacando essa situação”, diz Rosalina.
De acordo com testemunhas, pelo menos 7 homens armados chegaram atirando e invadiram o banco, sendo que 4 criminosos encapuzados teriam ficado do lado de fora dando cobertura aos outros 3 comparsas que, do lado de dentro, roubaram o dinheiro do caixa e de 2 cofres, em Concórdia do Pará. Pelo menos 8 bancários e outras 6 pessoas que passavam pelo local na hora do assalto foram feitas reféns e algumas delas foram levadas durante a fuga do bando. Somente foram liberadas minutos depois, sem ferimentos. O Banpará não informou a quantia roubada.
PROMESSAS
Ainda de acordo com Rosalina Amorim, o Sindicato chegou a formalizar junto ao Governo do Estado diversos pedidos para reforçar a segurança nas agências e recebeu como resposta promessas de reuniões mensais para atender essa demanda especifica. Mas apenas uma reunião foi feita nos 12 meses de 2015 e sem surtir muitos resultados. “Não adianta os bancos oferecerem excelentes condições de guarda se o Estado, por si só, não ajuda com o seu dever. Esse é um grave problema que não envolve apenas o dinheiro, mas sim vidas”, critica Rosalina Amorim, a respeito da postura da presidente do sindicato sobre a postura da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).
Ainda de acordo com a sindicalista, as maneiras de abordagem feitas pelos assaltantes aos funcionários estão cada vez pior. A modalidade conhecida como “sapatinho” foi a pior delas. Nesse tipo de abordagem, os funcionários dos bancos, junto com familiares, são sequestrados em suas próprias residências. Parte do bando mantém os parentes do gerente do banco como reféns, enquanto outros membros da quadrilha conduzem o funcionário até a agência onde ele trabalha para consumar o assalto ao cofre.
(Matheus Miranda/Diário do Pará)
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