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POLÍCIA

Belém, uma cidade assustada

Uma pesquisa do Instituto Doxa, realizada há pouco mais de 1 mês, em Belém, com uma amostragem de 600 entrevistas individuais e margem de erro de 4%, revelou o que todos belenenses sabiam e que o Mapa da Violência já havia apontado: a capital paraense é u

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Uma pesquisa do Instituto Doxa, realizada há pouco mais de 1 mês, em Belém, com uma amostragem de 600 entrevistas individuais e margem de erro de 4%, revelou o que todos belenenses sabiam e que o Mapa da Violência já havia apontado: a capital paraense é uma das cidades mais violentas do País e, ainda pior, do continente. A pesquisa revelou que o tráfico de drogas, com 35%, e a “lei que protege os menores infratores”, com 30,4%, são as principais causas da violência na nossa cidade, seguidas da falta de policiamento, com 18,6%, que aparece como a terceira causa da violência no município.

Na avaliação sobre a atuação do governador Simão Jatene no combate à violência em Belém, os entrevistados reprovaram o chefe do Estado. Pela pesquisa: 69,5% da população avaliaram como ruim ou péssima a atuação do governador. Apenas 4,7% consideraram boa e outros 21,9%, regular. A capital paraense vem sendo vítima de uma espécie de explosão criminosa.

Convém salientar que o crime deixou de ter uma configuração simples como nas décadas de 1970 e 1980, onde os maiores índices de violência estavam atrelados a furtos e arrombamentos de residências. Passadas 4 décadas, esses crimes evoluíram negativamente para assaltos a mão armada, explosões de caixas eletrônicos e chacinas, hoje rotineiras no cotidiano belenense. Mas tudo se forma por ineficiência da atuação do Estado ou da atuação precária do Estado em políticas públicas.

COMPARATIVO

Nas décadas de 70 e 80, a media de idade do criminoso belenense figurava entre 30 e 50 anos. Hoje a media está entre 16 a 25 anos. No passado a droga combatida pela Delegacia de Vigilância Geral era a maconha, que chegava às mãos de traficantes.Eram poucos e a Polícia Civil tinha até cadastro de todos. Nos dias atuais, além da maconha, há o haxixe, a pasta de cocaína, o crack e não se tem idéia de quantas “bocas de fumo” proliferam, a cada dia, na cidade.

Se comparado ao número da força policial, o de criminosos disparou na cidade. Para piorar, mesmo dentro de degegacias e presídios, os criminosos “comandam” o submundo, encomendam assassinatos e controlam o tráfico de drogas.Há de se destacar a forma como a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) enxerga a situação da violência em Belém. No ano passado uma informação atribuída ao secretário Jeannot Jansen dizia que o crime era uma questão “atípica”, representando um descompasso com situação atual e o governador Simão Jatene teria declarado que se tratava de “uma cruzada civilizatória”.

Com a falta de políticas públicas eficazes, bairros como Jurunas, Guamá, Cremação e Terra Firme acabam assistindo ao envolvimento de crianças e adolescentes no mundo do crime. E isso viabiliza a atuação e o crescimento da criminalidade, contribuindo para a expansão da violência urbana diária.

Nesse contexto, o adolescente, sem acesso a escola, áreas de lazer e vivendo em condições precárias, fica vulnerável a se envolver na criminalidade, sendo facilmente cooptado por traficantes, em troca de coisas banais, como roupas de grife, um tênis da moda ou um celular moderno. O povo espera que logo tudo isso faça parte do passado de Belém.

(J R Avelar/Diário do Pará)

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