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POLÍCIA

Passageiros são reféns do medo na Mário Covas

Um grupo formado por 3 homens assaltou 30 passageiros em um ônibus que fazia a linha Icoaraci-Cidade Nova, quando ele trafegava na rodovia Mário Covas, bairro do Coqueiro, em Ananindeua. O crime aconteceu na noite de terça-feira (08). Segundo informações

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Um grupo formado por 3 homens assaltou 30 passageiros em um ônibus que fazia a linha Icoaraci-Cidade Nova, quando ele trafegava na rodovia Mário Covas, bairro do Coqueiro, em Ananindeua. O crime aconteceu na noite de terça-feira (08). Segundo informações fornecidas por testemunhas, os bandidos portavam um revólver calibre 38, usado para o furto dos bens dos passageiros, motorista e cobrador do ônibus. A Polícia ainda não identificou os acusados, que, até o fechamento dessa edição, estavam foragidos.

O crime foi apenas mais um que vitimou passageiros de transporte coletivo na região metropolitana de Belém. Em tempo: o valor da tarifa (R$ 2,70) não garante aos usuários do transporte público climatização, capacidade mínima de passageiros e no atual cenário de medo, segurança. Para os coletivos que trafegam na rodovia Mário Covas, o local tem sido um ponto estratégico para assaltos dentro desses transportes.

Segundo os motoristas de ônibus que trafegam na via, os assaltos têm acontecido cada vez mais e em qualquer hora do dia e da noite. “Tem sido normal os motoristas chegarem no final da linha e dizerem que foram assaltados aqui na Rodovia Mário Covas. Se você conversar com algum motorista ou cobrador pode ter certeza que eles vão ter muitas histórias de assalto pra contar”, disse um fiscal da linha Jardim Europa, que não quis se identificar.

De acordo com os motoristas, os trechos da Mário Covas onde mais acontecem os assaltos são as entradas do Jardim Sideral e dos conjuntos Satélite e Pedro Teixeira, todos próximos a Rodovia Augusto Montenegro, e no final da tarde. “Na verdade, toda a extensão da Mário Covas é perigosa, mas geralmente os assaltantes atacam nesses trechos, acho que porque nas proximidades desses locais existem muitos caminhos que são pontos de fuga deles”, disse o motorista Gustavo Santos, 33 anos, da linha Jardim Europa/Ver-o-Peso.

Os trechos citados se destacam principalmente porque próximo a eles há a presença de policiais militares que fazem a guarda do Centro de Recuperação do Coqueiro e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), vinculada à Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). “Nem mesmo a presença desses 2 representantes da segurança pública intimidam os assaltantes. Pior, depois de assaltarem, ainda descem bem próximo a policiais”, revelou o também motorista Ivan Noronha, 33 anos.

A falta de policiamento ostensivo é a maior reclamação dos rodoviários que trafegam pela Mário Covas. “Não vemos policiais atuando com frequência aqui na rodovia. Eles poderiam ser mais presentes, fazendo blitze principalmente nos ônibus e entrar neles para abordar os passageiros. Se isso acontecesse com certeza o índice de assaltos iria diminuir, o que seria bom para nós, trabalhadores, e também passageiros”, sugeriu o cobrador Paulo Vinicius, 32 anos.

Sem combate ao problema, o transporte público deixou de servir apenas como auxílio para locomoção dos usuários da rodovia, mas também se tornou o “transporte do medo”. “Já fui vítima de assalto umas 3 vezes dentro do ônibus aqui na Mário Covas. Num desses assaltos, teve até tiros, mas graças a Deus ninguém ficou ferido. Pegar ônibus, seja indo ao trabalho ou voltando para casa, é estar refém do medo também”, disse Clara Sampaio, 44 anos, secretária executiva.

SINDICATO

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Belém, entre 1 de janeiro e 15 de fevereiro desse ano foram registrados 36 assalto a ônibus em Belém, sendo que 9 deles foram em coletivos que trafegam pela Rodovia Mário Covas, o que equivale a 25% das ocorrências. “Nós, rodoviários, vivemos frente a frente com o perigo dentro dos ônibus em toda Belém, que se todos os assaltos fossem registrados teriam um número bem maior de ocorrências. Mas, realmente, a Mário Covas tem sido um dos locais onde mais a categoria tem sofrido com assaltos”, disse Edilberto Ventania, diretor do sindicato.

Ainda de acordo com Ventania, pouco tem sido feito pelos órgãos de segurança para combater o problema. “Não existe sequer um plano para ajudar a classe rodoviária e o usuário do transporte público. Na verdade, a Secretaria de Segurança propôs uma ideia trazida do sistema de transporte público do estado de Goiás, mas lá é outra realidade”, disse ainda Edilberto Ventania.

“Os usuários de Goiás usam mais cartão digital e movimentam menos dinheiro vivo, além de a maioria dos coletivos não contar com cobradores. Não queremos solucionar o problema da insegurança trazendo outro com a demissão de trabalhadores. Queremos uma solução viável e favorável para todo mundo”, concluiu o sindicalista.

(Alexandre Gomes/Diário do Pará e redação)

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