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POLÍCIA

Moradores de Outeiro se dizem nas mãos de bandidos

Na fotografia, a imagem; na mente e no coração, as lembranças do filho Francisco Adriano da Silva Mendes, de 33 anos, levam às lágrimas a dona de casa Maria do Carmo da Silva, 51. O jovem foi assassinado com 3 tiros na rua Manoel Barata, bairro São João,

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Na fotografia, a imagem; na mente e no coração, as lembranças do filho Francisco Adriano da Silva Mendes, de 33 anos, levam às lágrimas a dona de casa Maria do Carmo da Silva, 51. O jovem foi assassinado com 3 tiros na rua Manoel Barata, bairro São João, na Ilha de Outeiro, distrito de Belém, no dia 15 de fevereiro. “Foi uma perda muito grande para a família, principalmente para o filho que ele deixou. Não importa o que ele tenha feito de errado, nada justifica terem tirado a vida do meu filho”, disse, aos prantos, Maria do Carmo.

A morte de Francisco Adriano da Silva Mendes é apenas mais uma em consequência da crescente violência na Ilha de Outeiro. O distrito, distante apenas 25 quilômetros de Belém, é um dos destinos mais procurados pelos banhistas no período das férias devido às suas belas praias de água doce, mas tem sido marcado pela insegurança. Ao todo, durante o mês de fevereiro e os primeiros dias de março, ocorreram 7 homicídios, número suficiente para tirar a tranquilidade do local e colocá-lo na rota violenta vivida pelo Estado.

A série de homicídios instalou o medo em Outeiro e os ares são de tensão entre os moradores da ilha. Para eles, comentar sobre os crimes ocorridos no distrito parece assinar a sentença de morte, por isso a maioria evitou ser entrevistada pela equipe de reportagem sob o argumento de evitar envolvimento e não se tornar a próxima vítima, já que a insegurança aumenta a cada dia no distrito. Para se ter uma ideia da gravidade do assunto, morar próximo à Delegacia de Outeiro, localizado na rua Franklin de Menezes, bairro São João, não é garantia de segurança.

Casas e estabelecimentos comerciais próximos à delegacia são tomados por grades, não para servir de ornamentação e sim como proteção, o que faz lembrar a máxima de que o cidadão de bem é quem vive atrás das grades. “Morar perto da delegacia não quer dizer nada, há pouco mais de uma semana um rapaz ali na esquina foi assassinado com 80 facadas. Se não temos essa garantia de proteção da delegacia, temos de fazer por nós mesmos, e as grades são de grande ajuda”, disse Dario Castro, 66 anos, comerciante.

“Antes, a loja onde eu trabalho ficava ao lado da delegacia. Uma vez, de manhã, eu fui assaltado. Os ladrões não quiseram nem saber se ao lado estava a delegacia e, mesmo assim, assaltaram a loja. Hoje, a loja funciona em frente à delegacia, mas, como eu sei que isso não é garantia de nada, sei que corro o risco de ser assaltado novamente. O pior é que, se a presença de uma delegacia não intimida a ação dos bandidos, as coisas vão piorar cada vez mais para nós”, declarou José Luiz, 21 anos, vendedor.

As praias da Ilha de Outeiro fazem com que o distrito seja um dos roteiros mais procurados por banhistas, principalmente nos fins de semana e nas férias. Mas o belo cenário formado pela faixa extensa de areia, com seus coqueirais e ondas formadas pelas águas da Baía do Guajará, também são assoladas pela insegurança. Por isso, o que se observa são praias pouco frequentadas, além de bares e restaurantes fechados.

“Hoje é sexta-feira e, se não fosse a violência que está tomando conta deOuteiro, a Praia Grande estaria lotada. Mas o que a gente pode esperar de um local que tem sido palco de assalto e até homicídio no calçadão da praia? Somos reféns dessa situação porque não temos uma política de segurança para a praia. E, se nada for feito, cada vez teremos menos banhistas usufruindo a beleza natural das praias do Outeiro”, opinou Emanuel Azevedo, 43 anos, comerciante.


DESCASO

Mas o problema na Ilha de Outeiro não se limita à falta de segurança. Para os moradores, o descaso vivido pelo distrito como falta de pavimentação e saneamento básico agrava ainda mais a situação daquela localidade. Ao andar pelos bairros que compõem a Ilha, é fácil concordar com a opinião dos moradores. Na avenida Conceição, na entrada do bairro São João, por exemplo, um enorme buraco na via faz com que cada centímetro seja disputado entre pedestres, ciclistas e veículos automotores, sobretudo ônibus, que, ao desviarem, oferecem risco de acidente.

A situação com relação ao trecho piora porque o poder público não mostra interesse em resolver o problema e transfere esse poder para a população, já que é ela que coloca a mão na massa para solucionar o caso. “Se não for a gente para fazer uma vala, a água não escoa. O pior é que, na campanha para prefeito, o Zenaldo veio aqui e prometeu que ia construir uma galeria, além de pavimentar a rua. Infelizmente, foi promessa de campanha não cumprida e nós sofremos com essa situação”, concluiu Bergers Beanni, 33 anos, técnico em informática

OUTEIRO: ASSASSINATOS EM FEVEREIRO E PRIMEIROS DIAS DE MARÇO DE 2016

3/2: Três homens encapuzados arrombaram a porta e mataram a tiros Henrique Mata Nascimento, de 19 anos, dentro da casa onde morava, na travessa Maria da Glória, bairro São João de Outeiro, na Ilha de Outeiro, em Belém. Ele foi morto na madrugada enquanto dormia com a esposa e o filho de colo em outro cômodo com a sogra. Os assassinos fugiram em um carro de modelo, placa e cor não identificados.

15/2: Francisco Adriano da Silva Mendes, de 32 anos, foi assassinado com três tiros em circunstâncias ainda desconhecidas pela polícia, no início da madrugada do dia 15. Ele ainda correu em busca de socorro, mas não resistiu e morreu na sarjeta, na rua Manoel Barata, bairro São João do Outeiro, na Ilha de Outeiro, em Belém.

15/2: Quase 12 horas depois do assassinato de Francisco Adriano da Silva Mendes, de 32 anos, foi registrada a morte de Diego Rodrigues Pinheiro, 22 anos. Ele estava numa bicicleta na travessa Outeiro, quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta preta, que efetuaram vários disparos.

22/2: Paulo César dos Santos Segmento, de 32 anos, foi morto a tiros na noite de domingo. Ele foi assassinado na passagem Antonio Fagundes, próximo à rua Beira-Mar, em Outeiro. A vítima era surda e tinha dificuldades na fala. De acordo com populares, Paulo César foi executado por dois homens, que conseguiram fugir antes da chegada da polícia.

28/2: O comerciante Wagner de Jesus Pereira, de 39 anos, foi assassinado com 80 facadas, na rua Franklin de Menezes, bairro São João, no distrito de Outeiro. Após ser perfurado, ele teve o corpo arrastado por 50 metros e desovado em um terreno baldio. Ele era homossexual.

29/2: O ajudante de pedreiro Abdias Rodrigues Neto, de 34 anos, foi morto com três tiros, no cruzamento da travessa Ômega com a rua da Piçareira, localizada na Ocupação Newton Miranda, bairro do Fama, na Ilha de Outeiro, em Belém. De acordo com testemunhas, dois homens em uma moto vermelha cometeram o crime e fugiram sem deixar pistas.

4/3: Alexandre Nascimento da Silva, 26 anos, foi morto a tiros na rua Paulo Amanajás, bairro Água Boa, em Outeiro, na noite do dia 3. Dois homens em uma motocicleta foram atrás da vítima em uma kitnet, executaram-na e fugiram.

(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)

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