A insegurança deixou os moradores dos conjuntos Promorar, Providência e Paraíso dos Pássaros, no bairro de Val-de-Cans, em Belém, sem água durante todo o dia de ontem. O motivo foi o assalto sofrido, na madrugada de ontem, na unidade da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), localizado na avenida dos Tucanos, que abastece aquela localidade, onde salas de fiações foram arrombadas e roubados equipamentos e cabos que garantiam a alimentação do sistema.
De acordo com um servidor da Cosanpa, que esteve no local e pediu para não ser identificado, os assaltantes renderam o vigilante e um operador na portaria e invadiram a unidade. “O guarda foi amordaçado e preso numa sala por 2 homens. Logo depois chegaram outros 4 bandidos e arrombaram as salas e com alicates de precisão cortaram a fiação e levaram um transformador”, disse o servidor.
O fato chama atenção por se tratar de um prédio de um órgão do Governo do Estado, que mesmo assim não foi poupado pela crescente insegurança no Pará. Localizado em uma área considerada de risco, a unidade abrange todo um quarteirão e apresenta sinais de abandono com parte do muro que circunda a propriedade destruído, além de contar com segurança privada sem uso de arma, fatores que contribuem para a ação de bandidos.
O MAIOR PREJUDICADO
Mas, o principal afetado com o roubo na unidade da Cosanpa de Val-de-Cans foi a população, sobretudo os moradores dos conjuntos Promorar, Providência e Paraíso dos Pássaros. Sempre vítimas da insegurança, ora sendo o alvo de bandidos em assaltos, dessa vez a consequência do crime foi sentida nas torneiras das casas dos referidos conjuntos, já que os equipamentos e fiações roubadas fazia parte do sistema de abastecimento de água daquela localidade.
Nas torneiras públicas espalhadas pelo bairro de Val-de-Cans, moradores se enfileiravam em busca de água, mas não pouparam críticas à situação em que estavam ao descaso com a insegurança. “É inadmissível isso acontecer, um órgão do Governo ser alvo de bandidos, porém a consequência disso quem sofre somos nós moradores. É um problema de insegurança, mas que reflete num bem comum que é a água em nossas torneiras”, disse Miguel Lima, 39 anos, morador.
“Esse terreno onde funciona esse prédio da Cosanpa é abandonado. Ele é grande demais e só fica um vigilante fazendo a segurança do local, porém é sem arma. A bandidagem sempre invade e usa o local para se drogar, esconder roubo e outros delitos. O próximo passo dos bandidos seria fazer esse roubo contra a própria Cosanpa e levar os equipamentos. Agora aconteceu, mas quem paga esse preço somos nós”, completou Vanda Gonçalves, 74 anos, aposentada.
Essa não é a primeira vez que um órgão público é palco de assalto, em Val-de-Cans. Em setembro do ano passado, um homem foi assassinado dentro de uma unidade de saúde enquanto recebia atendimento psicológico, no conjunto Paraíso dos Pássaros, bairro de Val-de-Cans, em Belém, que fica a poucos metros da Cosanpa. Um exemplo real que a violência não tem hora e nem local para ser consumada.
(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)
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