Uma sequência de 3 assassinatos ocorridos entre segunda-feira, dia 18, e ontem, 19, terça-feira, em Marabá, no sudeste paraense, reforçou novamente as suspeitas de atuação de grupos de milícia no Estado. Relator do parecer final oriundo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) realizada pela Assembleia Legislativa para investigar a existência de grupos de extermínio no Estado, o deputado estadual Carlos Bordalo (PT), é ríspido: é preciso que a Segurança Pública do Estado aja de forma exemplar, em vez de se comportar como se não reconhecesse a existência de milícias atuando no Pará.
Só nos últimos seis meses é possível citar dois casos semelhantes e graves nesse sentido: no ano passado, quando um homem, internado em um hospital particular no bairro de Fátima, centro de Belém, após trocar tiros com a polícia como suspeito de ter matado um PM, foi executado a tiros na frente de outros pacientes e funcionários na noite do dia 26 de outubro; e outro, mais recente, quando em 21 de março, um homem foi baleado, no bairro da Marambaia, em aparente situação de acerto de contas e socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No confronto, um vendedor de bombons de 76 anos foi atingido e morreu na hora. O veículo, ao se dirigir ao Pronto-Socorro Municipal mais próximo, acabou cercado pelos mesmos que balearam a vítima, que foi mais uma vez baleada e acabou morrendo.
O relatório da CPI, apresentado em janeiro do ano passado, foi entregue ao Poder Executivo, que parece não ter tomado providências a respeito. “Me parece haver uma insegurança em admitir que esses grupos existem, e se não reconhece, o Governo simplesmente não enfrenta o problema e toma situações como essas como aleatórias e desconexas entre si”, lamentou o parlamentar, que lembrou inclusive de um trecho do parecer que aponta a existência de grupos de extermínio em Marabá. “O contorno desses casos é claro, é o velho problema da resposta da polícia toda vez que morre um policial, no ‘olho por olho, dente por dente’. O Estado não pode se ajoelhar diante desse tipo de atitude”, criticou.
Bordalo lamentou o assassinato do “Sargento Rak”, como era conhecido o PM assassinado em Marabá, e externalizou solidariedade aos familiares, mas defende que a punição dos criminosos deve sempre seguir o rigor da Constituição. “Essa lógica de resposta não leva a lugar algum. Afronta o Estado de Direito e aprofunda a tensão do cidadão. Se não é militar, é milícia”, afirmou o petista.
(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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