"Só imaginava que ele poderia fazer alguma maldade comigo. Eu estava despida. Travamos uma luta corporal, porque se eu tivesse cedido, ele teria achado uma faca, mas achou uma jarra de café de vidro e deu na minha cabeça". Esse é o relato ainda transtornada da moradora do 3º andar de um prédio residencial localizado na Avenida Nazaré, bairro de Nazaré, em Belém. A vítima teve a casa invadida na madrugada de ontem (20) por João Victor do Rosário, de 19 anos, que escalou a frente do prédio para roubar o apartamento.
O caso aconteceu em um prédio baixo, de apenas 3 andares, na esquina da Avenida Nazaré com travessa Doutor Moraes, próximo à Praça da República. A vítima, a representante farmacêutica Pamela Salim, de 29 anos, é moradora do último andar e contou que estava só no apartamento. Despiu-se para tomar banho. E iria arrumar as coisas e sair para trabalhar. Ela foi para a sala, por volta das 5h e viu um homem pendurado na janela, tentando pular para dentro da casa. “Eu gritei ‘Não entra! Não entra!’. Mas ele entrou, me segurou, derrubou a televisão e aí travamos uma luta corporal. Ele chegou a procurar por uma faca e eu me agarrei nele, mas ele achou a jarra de café de vidro e pegou isso para me bater e me cortou. Com uma das mãos eu o segurava e com a outra me defendia”, relatou ela, bastante nervosa.
Pamela contou ainda que mordeu o dedo de João na tentativa de se livrar dele. “Desde a hora que ele entrou eu gritava por socorro para que os vizinhos me ouvissem. Ele bateu com a minha cabeça no chão. Aí mordi o dedo dele e foi quando me soltou e tentou fugir”, disse ainda a vítima. Ainda de acordo com ela, o medo era que o homem a atacasse, caso ela não tentasse se defender desta forma.

João Rosário já tem passagem pela polícia pelo mesmo crime. (Foto: Daniel Costa/Diário do Pará)
Foi com a mordida no dedo que João desistiu de tentar roubar algo do apartamento e fugiu da mesma maneira que entrou: pela janela. Mas logo foi abordado pelo vigilante da rua, que o agarrou e acionou policiais militares, enquanto vizinhos ajudaram a vítima e acionaram Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Eu estava fazendo a ronda e de longe ouvi gritos. Era muito alto e quando cheguei na avenida vi o homem descendo pela janela. Eu o deti e passei rádio para os outros colegas para ajudar. Nessa hora os vizinhos desceram com a moça e ela o reconheceu”, disse Alan Moraes, vigilante.
Ao ser questionado, João falou sem constrangimento que viu uma oportunidade de subir no apartamento para roubar e depois fugir, mas não imaginava encontrar um pessoa acordada. Ele disse ainda que tentou fugir, mas a vítima não deixava. “Eu já queria ir embora, porque vi que não dava pra pegar nada, mas ela vinha pra cima, não deixava eu sair”, disse ele, bem calmo.
Ainda segundo o acusado, já tem passagem por furto e de vez em quando usa do mesmo método de escalar prédios, mas não soube dizer quantas vítimas já fez. “Já subi uns e outros por aí”. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de roubo.
DESABAFO
A jovem aproveitou para desabafar sobre a insegurança, principalmente de onde menos imaginava que poderia lhe acontecer, por se tratar de um bairro nobre de Belém e que conta com uma viatura da Polícia Militar nas proximidades da Praça da República.
“Isso é revoltante, porque moro num bairro dito nobre e dentro da minha casa, um lugar que acredito ser seguro. Nunca imaginei que minha casa seria alvo. Nunca fui assaltada na rua mas fui em casa, onde achava que era o local que eu estava segura. Agora é redobrar a segurança, a atenção e pedir segurança para Deus”, falou. A mulher também aproveitou para desabafar nas redes sociais e recebeu mensagens e apoio de amigos.
(Emily Beckman/Diário do Pará)
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