Olhar tenso, descamisado e vestido com calças sujas de lama e marcas de agressão pelo corpo. Esse foi o saldo do terror vivido por um taxista que, por medo, pediu para não ser identificado. Ele sofreu nas mãos de um casal na madrugada de ontem. Ao mesmo tempo, a situação mostra a insegurança naquela hora do dia, sobretudo, para o cidadão de bem que trabalha para o seu sustento e o de sua família.
De acordo com a vítima, o casal contratou a corrida do táxi em frente a um shopping, localizado na avenida Augusto Montenegro, para ir ao residencial Benjamim Sodré, que fica, no sentido de Icoaraci, a poucos metros do local. Mas, quando chegaram ao destino, o que seria a conquista de mais um renda pelo serviço, tornou-se um pesadelo para o trabalhador.
“Esse casal anunciou o assalto e, em seguida, chegaram mais 3 homens, que me amarraram e vendaram meus olhos”, detalhou o taxista.
Sem poder enxergar e com as mãos amarradas, o taxista seguiu no seu próprio táxi conduzido por um dos assaltantes, e foi agredido por golpes de faca e constantemente ameaçado de morte pela quadrilha, até ser abandonado. “Eles diziam para eu ficar na minha, senão iriam me matar. Mas, depois de um tempo eles chegaram no Jardim Sideral e me abandonaram amarrado num matagal todo sujo de lama. Fugiram no meu carro”, disse ainda a vítima. Apesar do susto, o taxista conseguiu se desamarrar e, com o apoio de moradores do Jardim Sideral, conseguiu entrar em contato com sua esposa. “Eu contei para minha esposa a situação por qual passei e, com a ajuda de algumas pessoas, fui trazido até aqui na Seccional da Marambaia, para fazer a ocorrência e encontrar minha esposa”, disse o homem.
O automóvel do taxista não demorou a ser encontrado e devolvido para ele. A quadrilha foi parada numa blitz na rotatória do bairro 40 Horas, em Ananindeua, e após abordagem dos agentes da Secretaria Municipal de Trânsito (Semutran), abandonaram o veículo.
“Nós pedimos de maneira insistente o documento do carro e do condutor e todos eles saíram do veículo, inclusive, atirando para o alto e correram. Fizemos averiguação e encontramos o contato do proprietário do veículo, que estava na seccional registrando esse assalto”, disse o agente de trânsito Stevie. Havia uma faca no veículo. Apesar de ter recuperado o carro, o taxista estava em estado de choque e relembrou os momentos de tensão vividos nas mãos da quadrilha em tom de revolta. “Eu vi minha vida terminar ali nas mãos daqueles bandidos. É uma situação que eu não desejo a ninguém, porque me deixou bastante revoltado, nós trabalhadores nos tornarmos vítima dessa insegurança”, concluiu o trabalhador.
(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)
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