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POLÍCIA

45 postos de combustíveis são assaltados por mês

Antes que o motociclista cruze a faixa de segurança para abastecimento, a retirada do capacete deve compor o ritual que antecede o início do atendimento. O procedimento é o que determina a Lei Municipal nº 9.205/2016, sancionada no último dia 26 de maio.

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Antes que o motociclista cruze a faixa de segurança para abastecimento, a retirada do capacete deve compor o ritual que antecede o início do atendimento. O procedimento é o que determina a Lei Municipal nº 9.205/2016, sancionada no último dia 26 de maio. A proibição do ingresso ou permanência de pessoas utilizando capacetes também é válida tanto para os postos de combustíveis, quanto para os demais estabelecimentos comerciais públicos e privados.

Com a estimativa de que, em média, 45 assaltos sejam praticados contra postos de combustíveis por mês na Região Metropolitana de Belém (RMB), porém, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Estado do Pará (Sindicombustíveis) acredita que a lei pode ajudar a inibir violência, mas que outras medidas de segurança também precisam ser adotadas. “Tem alguns que roubam com a ‘cara limpa’ e ainda olham para a câmera. Seria necessário diminuir a insegurança também”, declarou o presidente da entidade, Ovídio Gasparetto.

Tendo se tornado alvos de assaltantes, alguns postos já decidiram modificar a própria rotina como forma de se proteger. Em Belém, muitos postos que antes funcionavam 24h por dia, hoje estão encerrando as atividades por volta de 22h. “Fica complicado para o empresário por conta da renda perdida, pela insegurança dos funcionários e pelos clientes que já ficam com medo”.

Frentista há 18 anos, Heunir Damasceno, 48 anos, aponta que no posto em que trabalha, no bairro do Guamá, os funcionários já seguem a orientação de permanecer apenas com uma quantia limitada de dinheiro. Nenhum frentista fica mais com grandes valores. “A gente tem feito muita venda com cartão também, isso ajuda”.

Ciente da legislação que já está em vigor, Heunir revela que nem sempre os consumidores se mostram dispostos a retirar o capacete enquanto estão abastecendo no posto. Com diálogo, porém, ele acredita que é possível solucionar o impasse. “É importante o frentista saber abordar o cliente. Eu sempre explico que é para a própria segurança dele e nossa”.

Diante da bomba para abastecer, o técnico em refrigeração Getúlio Costa, 54 anos, não esqueceu de levantar o capacete assim que estacionou. O cliente também é otimista com relação à nova legislação. “O certo é tirar o capacete mesmo e descer da moto. Para quem está com boa intenção isso não é problema”.

Getúlio foi abastecer a moto e, ciente da nova lei, tirou o capacete. Ele afirma que apoia a nova determinação. (Foto: Ricardo Amanajás)

“Sensação de ser assaltado é a pior possível”, diz frentista

Já tendo presenciado um assalto no posto em que trabalhava em 2009, o frentista Benedito da Silva, 44 anos, até hoje não esqueceu os momentos de agonia. Apesar de saber que, sozinha, a retirada do capacete não é capaz de resolver a insegurança, ele acredita que a medida pode ajudar intimidar. “A sensação de ser assaltado é a pior possível”.

Presentes em muitos dos postos de gasolina espalhados pela Região Metropolitana de Belém (RMB), as lojas de conveniência também são contempladas pela lei. Na entrada da loja em que o atendente José Matheus Cedepa, 22 anos, trabalha, em um posto de gasolina localizado no bairro da Pedreira, um aviso que informa o número da lei já orienta os clientes a retirarem o capacete. “As câmeras hoje em dia são mais modernas, então é mais fácil identificar a pessoa, então, ter que tirar o capacete para entrar pode inibir um pouco a ação deles”.

Mesmo sem nunca ter sido vítima de assalto no local de trabalho, José Matheus não esconde que, em determinadas horas do dia, a sensação de insegurança exige mais cuidado. “Quando o fluxo de pessoas diminui e a rua fica muito deserta, a gente fica com a atenção redobrada”, conta. “A gente trabalha pedindo pra Deus nos proteger”, revelou o frentista Enéas Neto, 30 anos, que trabalha em um posto localizado no bairro do Marco.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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