O administrador de empresas, Weleson Cordeiro, 31, estava estacionando em um restaurante para almoçar no intervalo do trabalho quando percebeu a presença de dois assaltantes chegando ao estabelecimento armados e em uma motocicleta. Assustado, ele voltou mais que depressa para o carro e saiu em disparada. Enquanto ele fugia, os meliantes entraram no restaurante e levaram todos os pertences dos clientes. “Mais um pouco e eu também teria sido assaltado. Foi um susto muito grande”, diz o administrador.
A situação vivenciada por Weleson é apenas uma das muitas que acontecem em Belém todos os dias. Assaltos em bares, restaurantes e casas noturnas são cada vez mais recorrentes e desafiam quem vive da noite na cidade. O empresário Felinto Moreira 56, é dono de um restaurante na avenida João Paulo II, no bairro do Marco.
Segundo ele, nos últimos 5 anos os assaltos aumentaram mais que o dobro e praticamente já são considerados rotina no estabelecimento. Em março deste ano, o restaurante foi invadido por 4 homens armados. “Eles levaram pertences dos clientes e só não roubaram a renda porque a porta de ferro estava fechada”, relata. Na época, dois assaltantes foram presos e outros dois fugiram, mas voltaram na semana seguinte e novamente renderam os clientes.
SEGURANÇAS
Para amenizar o problema, os empresários estão recorrendo cada vez mais à contratação de seguranças para vigiar os estabelecimentos. Mas, além de caro, o serviço é limitado, uma vez que a legislação obriga que os contratos de vigilância sejam feitos apenas com empresas legalizadas. “A maioria dos proprietários não pode pagar esse serviço e acaba contratando um fiscal de evento”, informa o diretor jurídico do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará, Fernando Soares. Segundo ele, o fiscal é o segurança disfarçado que fica geralmente na redondeza do bar ou na porta controlando o acesso de menores, consumo de álcool no interior do recinto e também observando a ação de criminosos.
NADA INTIMIDA
Outro recurso bastante utilizado é o uso de câmeras de segurança, mas nem mesmo isso está inibindo os assaltos. Uma casa de lanches bastante frequentada na Cremação estava lotada quando foi assaltada há cerca de 15 dias. Novamente, todos os objetos dos clientes foram roubados.
Com a ajuda das câmeras a polícia conseguiu identificar os bandidos, mas nenhum foi preso até o momento. A proprietária, Maria José Pinheiro, 62, diz que o episódio afastou os clientes e que ela tem receio de novos assaltos. “Tenho muito medo que aconteça de novo e peço a Deus para proteger o meu empreendimento”, comenta.
O maior problema apontado pelos entrevistados é a falta de policiamento nas áreas comerciais. “A gente vê um suspeito, liga para a polícia, mas as viaturas nunca aparecem”, reclama o empresário Décio Medeiros. O bar é um dos mais badalados da avenida Visconde de Souza Franco, mas já foi assaltado algumas vezes. Da última vez os assaltantes entraram antes do bar abrir e levaram a renda de 70 funcionários. “O maior prejuízo é que perdemos clientes, a renda cai e somos obrigados a demitir os trabalhadores”, lamenta.
O medo também ronda os frequentadores dos bares e restaurantes e muitos deles já recorrem a algumas táticas para fugir dos assaltos. É o caso das amigas Vanessa Matos, 27, e Jaqueline Nassar, 30. Assim como quase todos os belenenses elas gostam de sentar em um bar de calçada, onde a maioria dos assaltos ocorre. “A gente põe a bolsa pra debaixo da mesa, esconde a carteira e procuro não sair tarde do bar”, diz Vanessa. Jaqueline já foi assaltada ao deixar um dos estabelecimentos e desde então passou a ficar mais atenta ao seu redor. “Fico atenta, observando quem se aproxima, se for algum suspeito aviso logo a alguém”, diz Jaqueline.
Outra estratégia adotada pelos clientes é sair de casa com pouco dinheiro ou até mesmo levar somente o cartão de crédito no bolso, sem bolsas ou carteiras pra não chamar a atenção. “Só saio com a carteira de habilitação, com o cartão e só fico no restaurante até 23h, no máximo”, afirma Weleson.
A Polícia Militar informa que faz o trabalho preventivo com o emprego de militares em diversas ações, no entorno de bares e casas noturnas, dentre elas a Operação Hypnus que é direcionada para a fiscalização de bares, boates, casas de espetáculos e similares. “No último final de semana, a Polícia Militar, em ação integrada com as forças de segurança estaduais e municipais, apreendeu 6 armas e deteve 430 pessoas”, informa o chefe do Departamento Geral de Operações, Sérgio Alonso.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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