As passarelas são importantes meios para travessia de pedestres em vias de intenso e perigoso fluxo de veículos. Mas, enquanto oferecem segurança nesse sentido, os mesmos espaços se transformam em ameaça aos seus usuários devido o risco de assaltos, sobretudo, durante a noite e até a extensão da madrugada. O motivo é simples: a falta de iluminação contribui para essa situação de medo que fazem os pedestres se arriscar ao atravessar as vias.
Em Belém, ao longo da avenida Almirante Barroso, as passarelas se apresentam sem iluminação, além de serem “enfeitadas” com pichações, num grande sinal de abandono desses logradouros, que o tornaram em locais inseguros. A localizada em frente a uma universidade particular, por exemplo, tem sido palco de constantes ocorrências de assaltos. “Qualquer pessoa que passar nessa passarela à noite ou de madrugada corre risco, já que são muitos os casos de assaltos”, revelou Flávio Sá, 31 anos, vendedor.
Para quem se arrisca a usar as passarelas a melhor opção é estar acompanhado, pois estar sozinho pode virar alvo fácil de assaltantes. “Não podemos nos arriscar de passar sozinho nas passarelas. É bem melhor passar em grupos, formado por três ou mais pessoas, porque isso pode inibir a ação dos meliantes que ficam só esperando para assaltar quem passa sozinho nas passarelas”, disse Sheila Castro 23 anos, estudante.
RISCOS
Apesar disso, há quem prefira evitar usar as passarelas para não se expor aos riscos de ser assaltado. “Eu prefiro correr o risco de passar entre os carros, do que passar nessa passarela agora à noite. Nem mesmo entre grupos, porque o risco de ser assaltados nela é grande, já que elas são bons lugares para que os assaltantes ajam e nos faça de vítima”, declarou Benjamim Frias, 38 anos, mestre de obras.
Esse medo de usar a passarela, a ponto de se arriscar em andar em meio ao tráfego de veículos para atravessar a rua, é real para quem já foi vítima dessa situação. É o caso do estudante Lucas Soares, 29 anos, que já perdeu as contas de quantos assaltos sofreu ao trafegar nas passarelas. “Sempre saio tarde da noite do trabalho e tenho que enfrentar a escuridão das passarelas.
Foi nessa circunstância que já fui assaltado várias vezes, tanto sozinho como acompanhado. Por isso, que as vezes deixo de usar a passarela para atravessar a rua pelo BRT”, relatou Lucas Soares, mecânico.
Para os usuários das passarelas, essa situação acontece devido o abandono desses logradouros, que vão desde a falta de iluminação a corrimãos enferrujados e pichações, além da falta de policiamento.
“Essas condições mostram o porquê das passarelas serem inseguras. Se elas não recebem o devido cuidado em relação a sua manutenção, é claro que a segurança de andar nelas também não vai receber atenção, tipo, ter a presença da polícia nelas ou mesmo por perto. Então, num contexto geral, a população que é a principal vítima disso”, concluiu Djalma Lemos, 43 anos, arquiteto.
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Belém foi procurada mas, até o fechamento dessa edição, não se pronunciou sobre o assunto.
(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)
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