“A gente não tem mais segurança em lugar nenhum. A gente anda sobressaltado. Estou aqui com medo”. Essa era a sensação da operadora de máquina, Isaura Oliveira, 54 anos, enquanto esperava o ônibus para voltar pra casa, no bairro do Icuí, na tarde de anteontem, em plena avenida Senador Lemos, próximo à ponte do Galo, na Grande Belém.
O lugar é considerado um dos pontos mais perigosos da Belém, segundo Willem Ribeiro, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Pará. De acordo com ele, desde o primeiro dia desse ano até anteontem, o Sindicato contabilizou mais de 1 mil assaltos dentro dos ônibus na região metropolitana.
Somente na última semana, foram 22. O mais recente e ousado, aconteceu na tarde do último sábado (02), quando um coletivo que fazia linha Cabanagem – Presidente Vargas foi alvo de assaltantes 2 vezes em apenas 15 minutos.
O sindicalista afirma que, geralmente, os criminosos se dividem, não sobem juntos, passam por passageiros, se misturam entre os demais, em seguida, anunciam o assalto. “E ninguém percebe por que, às vezes, eles estão bem vestidos”, comenta Willem. Há dois meses, o motorista do coletivo que fazia linha Icoaraci – Ver – o – Peso reagiu ao assalto e acabou sendo esfaqueado na mão pelo assaltante.
O caso que acabou em ferimento aconteceu durante a noite, no entanto, Willen alerta que esses crimes têm se tornado comuns ao ponto de não ter hora específica para acontecerem. “Agora varia. De manhã, a tarde e a noite eles atacam”, afirma.
Um policial militar que preferiu não ser identificado, conversou ontem com a reportagem e afirmou que no último final de semana, evitou que um desses roubos acontecesse na avenida Senador Lemos. “Ele subiu no ônibus e me reconheceu. Ficou assustado e acabou descendo”, relata. “Existe uma turma que fica concentrada nesse perímetro e também atacam na Pedro Alvares”, diz.
PROPOSTA
A quantidade de roubos praticados dentro dos coletivos tem assustado a população. Por isso, o secretário do Sindicato conta que apresentou no dia 27 de junho, o projeto “Botão do Pânico” à patronal e aos órgãos ligados à Segurança Pública do Estado.
A ideia é monitorar todos os coletivos da região por meio de uma central de GPS onde cada empresa será responsável. No momento do crime, o botão que ficará escondido dentro do coletivo será acionado, alertando a central e as pessoas que estiverem do lado de fora do veículo verão lanternas acenderem. “Vai inibir 70% dos crimes dentro dos ônibus. Tanto o trabalhador quanto os passageiros estarão mais protegidos”, garante. A proposta está sendo avaliada.
PONTOS PERIGOSOS
Segundo o sindicato dos rodoviários, os pontos mais perigosos para usuários de ônibus são:
- Rodovia Arthur Bernardes, entre a igreja Perpétuo Socorro e o bairro da Pratinha;
- Avenidas Pedro Alvares Cabral e Senador Lemos, desde a passagem das Flores até a ponte do Galo;
- Estrada Nova, próximo à UFPA;
- Rodovia do Tapanã – toda a extensão;
(Michelle Daniel / Diário do Pará)
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