O cenário do crime era de silêncio total. Moradores da invasão Irmã Dulce, encravada em uma área de difícil acesso, em meio a palafitas no bairro Parque Guajará, desmembrado do bairro do Tapanã, na Grande Belém, estavam indiferentes. No local, os corpos dos irmãos Eder Tiago Leal Pereira, de 30 anos, e Márcio Leal Pereira, 34, estavam deformados com um total de 19 tiros e outros tantos golpes de facão. O crime foi no início da noite de sábado (30), e ninguém soube informar a motivação do crime ou identidade dos assassinos.
Os próprios policiais militares tiveram dificuldades para coletar informações. O soldado Gustavo Lima, do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), falou para o DIÁRIO que foi acionado pelo Centro Integrado de Operações. Soube então do duplo assassinato. “Devido às condições do local, nossas motos foram as primeiras a chegar. Um dos corpos estava jogado no meio do mato e o outro debaixo de uma casa, a 50 metros daqui”, informou o militar.
O crime foi registrado na Divisão de Homicídios de Icoaraci por Cléa Cunha. Ela é irmã das vítimas e comunicou ao delegado Luiz Roberto Nicácio que seus irmãos saíram para fazer uma mudança no Parque Guajará e acabaram mortos atrás da Arena do Camarão.
Apesar do crime brutal, no local era como se nada tivesse acontecido. Moradores, indiferentes, acompanhavam de longe o trabalho dos policiais militares, que isolavam o local do crime, além dos primeiros levantamentos, feitos por uma equipe da Divisão de Homicídios, tendo a frente à delegada Maria Lúcia Santos.
Uma testemunha, no entanto, rompeu o silêncio e disse à reportagem do DIÁRIO que um caminhão de mudança chegou à rua Castelo Branco, na invasão Irmã Dulce, e logo foi cercado por vários homens que ordenaram que os irmãos desembarcassem e, em seguida, os mataram a tiros.
“O primeiro dos rapazes foi baleado, andou poucos metros caindo aí no meio do mato. O segundo, mesmo ferido, saiu pulando cercas e quintais e foi perseguido pelos criminosos. A gente só ouvia os gritos dele”, disse a testemunha, ainda bastante nervosa com as cenas que presenciou.
A companheira de Eder Pereira disse à delegada Maria Lucia Santos que o rapaz tinha passado recentemente em um concurso e estava esperando ser nomeado.
PERÍCIA
Os peritos Ivanildo e Lopes, do Instituto de Criminalística, após os trabalhos de perícia criminal e remoção dos corpos, informaram que Márcio Leal Pereira foi atingido com 11 disparos de arma de fogo enquanto Eder Tiago Leal Pereira levou 8, além de ter a cabeça e o rosto dilacerados a golpes de facão.
(JR Avelar/Diário do Pará)
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