O medo de ser a próxima vítima de bandidos impede que moradores e transeuntes da Avenida Pedro Alvares Cabral, no perímetro próximo a ponte do Barreiro, conversem sobre a violência na área, considerada vermelha e também uma das que mais registram assaltos a ônibus. No último domingo (7), o local foi cenário para a morte do assaltante Luis Augusto Freitas de Moraes, 37 anos, que assaltava os passageiros de um coletivo que seguia pela via, mas foi surpreendido por um cidadão armado, que disparou 4 tiros contra ele. Luís morreu na hora e o atirador foi chamado de “justiceiro”.
“Esses becos são verdadeiros labirintos e funcionam como rota de fuga para ladrões e traficantes de drogas”, apontou uma moradora da área que não quis se identificar com medo de sofrer represálias dos bandidos. “Aqui não dá para falar muito, principalmente com a imprensa. A essa hora já devem estar de olho em mim, conversando com você”, disse, enquanto acelerou os passos para se distanciar da equipe de reportagem.
A mulher, que aparenta ter em torno de 35 anos, caminhou até uma parada de ônibus que fica antes da ponte. Fez sinal para 2 coletivos que não pararam. A reportagem se aproximou dela novamente e ela soltou um sorriso encabulado. “Não posso falar, moço”, reforçou. Questionada sobre qual ônibus queria pegar, ela respondeu que ia para o centro, qualquer um servia. “Mas os ônibus só param aqui quando desce algum passageiro”, justificou.
Depois que ela pegou o ônibus, um vendedor ambulante comentou que ela teve sorte, pois há momentos em que as pessoas costumam passar até meia hora para conseguir pegar um coletivo. “Aqui só para se for descer alguém. Os motoristas têm medo de assaltos”, comentou.
O ambulante se apresentou apenas pelo pré-nome de Carlos, 44 anos, e disse que ouve diariamente, em sua banca, relatos de roubos e furtos. “Aqui acontece muito”, frisou.
LEI DO SILÊNCIO
Os comerciantes do local também não gostam de conversar sobre a onda de violência. “Eu não falo. Sabemos quem são e eles conhecem a gente. Se falarmos algo sobra para gente”, denunciou a funcionária de um supermercado.
A nossa reportagem ficou de 17h até às 17h28 no local, tentando falar com moradores e comerciantes, mas se deparou com muita resistência da comunidade, que, por medo, não concederam entrevistas. Durante este tempo, nenhuma viatura da Polícia Militar passou pela área.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar que respondeu que “toda a capital está com operações tipo barreira policial e de fiscalização a veículos e transeuntes”, nas quais ocorrem abordagens e revistas em pessoas suspeitas. Estas operações têm ocorrido principalmente à noite, segundo a nota da PM. Na manhã de ontem, 3 pessoas foram presas durante uma destas operações, que ocorreu no bairro do Reduto. Os acusados eram conhecidos por praticar assaltos.
A PM informou que qualquer situação a população pode entrar em contato com a polícia pelo 190 ou 181 (Disque Denúncia).
(Denilson D'Ameida/Diário do Pará)
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