Na cidade de Castanhal, nordeste do Estado, um padrasto ameaçou de morte a própria enteada, de 14 anos, colocando uma faca no pescoço dela. Tudo aconteceu ontem pela manhã, por volta das 10h, depois que policiais civis foram até a 4ª Travessa do bairro Santa Catarina (periferia), para averiguar uma denúncia anônima de que em uma casa estaria acontecendo a comercialização de entorpecentes.
Quando percebeu a presença dos policiais civis, Samuel Ferreira de Melo, 32, foi até a cozinha e pegou uma faca. Em seguida, pegou a enteada pelos braços e a agarrou colocando a faca no pescoço da adolescente. Erick Monteiro da Cruz, 24, amigo de Samuel, também segurou a garota ameaçando-a de morte, caso os policiais invadissem a residência.
Ainda estavam no imóvel: a mãe da vítima e uma amiga dela, que conseguiram sair do local. Em determinado momento, Samuel e Erick levaram a jovem para dentro do banheiro e, com a porta aberta, mostrando apenas seus rostos, fizeram algumas exigências, como: a presença da imprensa e um colete balístico para cada. Todos os pedidos foram aceitos.
No local, além de 8 investigadores e 4 guarnições da Polícia Militar, estiveram presentes 3 delegados: Rayrton Carneiro, da 12ª Seccional; Nélio Magalhães, da Divisão de Homicídios (DH); e Temmer Khayat, superintendente da Polícia Civil daquela região. Muitos curiosos tentaram se aproximar, mas foram impedidos.
Após pouco mais de uma hora de negociação, por volta do meio-dia, a dupla resolveu se entregar e liberar a refém. “Graças a Deus foi mais uma negociação bem-sucedida! A vítima saiu ilesa e os acusados acabaram presos”, comemorou o delegado Temmer Khayat.
CÁRCERE PRIVADO
Os presos foram colocados dentro de uma viatura da Polícia Militar e conduzidos à 12ª Seccional Urbana, no bairro Jaderlândia, onde foi descoberto que Samuel Ferreira de Melo estava na condição de foragido do sistema penitenciário do município de Salinópolis, onde cumpria pena por tráfico de drogas. Ele ainda é suspeito de, no mês de setembro último, ter trocado tiros com um soldado da PM. Na troca de tiros, em que ninguém foi ferido, Samuel estava com um comparsa. Não se sabe se era Erick.
Samuel e Erick, que já estão à disposição da justiça, foram autuados por crimes de cárcere privado, grave ameaça de morte e resistência à prisão. “Na casa não encontramos entorpecentes, somente alguns objetos provenientes de roubo, porém a denúncia apontava um ponto de venda de drogas”, disse o delegado Temmer Khayat.
(Tiago Silva/Diário do Pará)
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