A Polícia Civil do Pará abriu inquérito policial para apurar a morte de um adolescente de 15 anos que teria sofrido agressão dentro de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos no distrito de Mosqueiro, em Belém. Após 10 dias, o jovem evoluiu a óbito nesta quinta-feira (3).
De acordo com informações do delegado Magno Costa, que acompanha o caso, o principal suspeito da agressão é Luciano Queiroz Santos Júnior, diretor proprietário da clínica "Força do Querer", localizada no bairro do Chapéu Virado. Ele não se encontra no distrito.
"Se até a terça-feira da semana que vem, se ele não comparecer à delegacia para prestar depoimento vai ser tomada uma medida cautelar que pode pedir a prisão preventiva dele", disse o delegado.
Segundo denúncia do pai da vítima, a agressão ocorreu no último dia 24 de outubro, e o rapaz, sofrendo muitas dores, foi transferido para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência onde morreu.
Em depoimento, o pai do menino disse que o motivo da agressão teria sido o sumiço de um celular que pertencia a Luciano ou a esposa dele, e ao delegado foi enfático em afirmar que a agressão ocorreu dentro da clínica de reabilitação.
Contra Luciano Queiroz pesa a suspeita de lesão corporal seguida de morte. Um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) já estava aberto, mas como houve o óbito, a PC abriu o inquérito ontem mesmo.
O enterro da vítima ocorreu na manhã desta sexta-feira (4) em um cemitério do distrito de Mosqueiro sob forte comoção de amigos e familiares.
O laudo da perícia do corpo do garoto ainda não foi divulgado pelo Instituto Médico Legal (IML), no entanto, o atestado de óbito do rapaz aponta três causas da morte: hemorragia interna, politraumatismo e anemia aguda.
O delegado Magno Costa reiterou que trabalha para esclarecer o caso e para isso chamará todos os envolvidos. Em até 30 dias, o caso deve ser encaminhado ao Ministério Público.
ACUSADO SE DEFENDE
Por telefone, o DOL conversou com o dono da clínica de reabilitação, Luciano Queiroz, que negou todas as acusações.
Segundo Luciano, o menino não estava internado na clínica e sim sendo assistido na sua própria residência, pois estava sendo ameaçado de morte pelos primos após ter roubado uma carga de drogas.
“O avô dele chegou até mim chorando, dizendo que iriam matar o rapaz”, detalhou.
Para Luciano, o menino foi vítima da falta de estrutura da família. “Tudo isso é consequência de uma família sem estrutura. É mais um caso de uma família que não quer assumir que o filho é dependente químico”, observou.
O acusado afirma ser mentirosa a acusação do pai do menino e do Conselho Tutelar de Mosqueiro dizendo que já está na estrada, vindo de Fortaleza para Belém, onde estava a trabalho, e se apresentará à polícia até a próxima segunda-feira.
Luciano ainda contesta o fato do menino ter passado mais de uma semana para ser levado ao hospital.
“Uma pessoa com múltiplas faturas não iria resistir vários dias sem atendimento. Tudo isso será contestado pelo meu advogado que está entrando com os procedimentos necessários para deixar tudo esclarecido”, finalizou.
(DOL)
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