No último dia 11, véspera do clássico entre Remo e Tuna, Kayo foi preterido da concentração. Ainda novo, deu espaço a garotos estourando a idade e avaliados para migrar para a categoria sub-20. Naquela noite, participou de uma tradicional pelada com familiares. Seu pai voltou para casa e o menino permaneceu na frente da residência dos tios, conversando com dois primos. A hora avançava e, quando estava prestes a voltar para casa, de longe ouviu-se barulho de tiros e um homem correndo, perseguido por um carro prateado que entrou na rua.
Enquanto os primos correram para longe, o jovem, assustado, teve por reflexo se esconder atrás de um monte de areia em frente à casa. O homem em fuga invadiu a casa dos seus tios e fugiu pelos fundos. O carro parou e homens encapuzados desceram. Correram atrás do fugitivo, mas não o encontraram. Quando retornavam, viram o jovem tentando se esconder, puxaram suas armas e o mataram com cinco tiros.
O pai do garoto, ouvindo o barulho, correu para o local e teve tempo de ver o carro fugindo a toda velocidade. Procurou pelo filho e não demorou a encontrá-lo no chão. Tentou reanimá-lo, mas já era tarde demais. Esse foi o relato dos acontecimentos colhido junto à família e a moradores.
O crime estava sendo investigado pela Seccional Urbana da Pedreira e foi repassado, devido à sua complexidade, para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil. A previsão para conclusão do inquérito é de 1 mês e a polícia afirma que não pode dar detalhes com relação a suspeitos para não atrapalhar as investigações. Segundo testemunhas que não quiseram se identificar, um grupo de extermínio, formado por milicianos, estaria por trás do crime, o que deve ser averiguado.
REPERCUSSÃO
- O técnico Pedro Henrique recebeu a notícia na mesma noite, mas poupou seus jogadores até o fim da partida contra a Tuna. A comoção tomou conta do grupo, que cantou o nome do colega no fim do jogo e prometeu a vitória em homenagem ao colega nos próximos jogos.
- Mais de 500 pessoas visitaram o velório de Kayo, muitos beijaram sua mão e rosto em despedida. A Escola Salesiana realizou missa, também concorrida, em homenagem ao aluno. A igreja frequentada pelos pais e a frequentada pelo filho também realizaram homenagem.
- Na segunda-feira, dia 13, os pais do menino fecharam parte da avenida Pedro Miranda em cortejo até a frente da delegacia da Pedreira. Com cartazes e faixas pedindo justiça, e palavras de ordem, centenas de participantes clamavam por justiça.
- O nome de Kayo foi lembrado no ato em lembrança do jovem assassinado no Júlia Seffer, bem como no ato em memória dos dois anos da chacina da Terra Firme, que vitimou 11 pessoas. O contato com outras famílias que perderam os filhos na mesma situação de execução por grupo encapuzados em carro prateado, tem ajudado as famílias a reunir informações que, se espera, ajudem na investigação.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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