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POLÍCIA

Pânico nas escolas: ninguém está seguro!

Pendurado nas grades enferrujadas do portão da Escola Municipal Walter Leite Caminha, no Conjunto Catalina, no bairro do Mangueirão, o verso de uma capa de caderno escrito à mão informa: Não haverá atendimento. Motivo: luto! Cercada de mato e lixo, a inst

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Pendurado nas grades enferrujadas do portão da Escola Municipal Walter Leite Caminha, no Conjunto Catalina, no bairro do Mangueirão, o verso de uma capa de caderno escrito à mão informa: Não haverá atendimento. Motivo: luto! Cercada de mato e lixo, a instituição de ensino, que na última segunda-feira, (9), foi palco de mais um episódio do descontrole da violência em Belém, parece estar abandonado. No local, que o guarda municipal Welisson Carneiro Figueiredo, 30 anos, foi assassinado com 5 tiros, por meliantes tentando levar sua arma- uma pistola ponto 40, ontem estava sem funcionários e alunos.

Com as portas das salas entre abertas, cadeiras espalhadas nos corredores sujos, a escola, depois do ocorrido, vive o silêncio do medo. Insegura e chocada, a vizinhança também prefere se calar e esconder o rosto para não ser alvo de mais um crime bárbaro. Identificado apenas como Manuel, de 63 anos, o professor aposentado, que mora quase à frente da instituição resume o fato com uma frase: “está demais”.

Ele afirma que, os assaltos são recorrentes no local. Da sua casa, vê quando os meliantes pulam o muro com mochilas cheias de pertences dos alunos e funcionários, porém, nunca pensou em presenciar um assassinato. “Os criminosos estão sem freios. Sem controle”, lamenta.

MUDANÇA DE ESCOLA

Com medo de que a filha, de 14 anos, retorne ao local, o radiotécnico Edson Gomes, de 35, foi à instituição pegar a ressalva da adolescente. “Vamos colocá-la em outra escola. Aqui não dá mais”, conta. Ele lembra que o crime ocorreu quando a instituição estava sem aulas.

“Já imaginou se estivesse cheio de alunos? Como seria o desespero?”. A dona de casa Nathalia Gomes Batista, de 30, tem três sobrinhas no colégio e teme que as alunas sejam vítimas. “Elas têm 13, 14 e 15 anos. Imagina o trauma que uma adolescente teria ao ver um assassinato na própria escola?”, questiona.

Pais admitem preocupação e cobram Governo

O que era para ser o ponto positivo para funcionar um colégio: um ambiente tranquilo e arborizado, tem se tornado um atrativo ao crime. Assim como a escola Walter Leite Caminha é cercada de vegetação e localizada numa rua com pouco movimento, a Escola Estadual Duque de Caxias, na Marambaia, também foi alvo da violência, um dia após o assassinato do guarda municipal.

No local, que na última terça-feira, (10), um homem entrou fingindo ser pai de um aluno e sacou uma arma, anunciando o assalto, a lei do silêncio se repete. Dois dias depois procurados pela reportagem, professores, estudantes, vizinhos e funcionários preferiram não se manifestar.

Mas, indignada, Jilce Silva, de 30, denuncia o descaso. “Não aguentamos mais tanta violência. As escolas eram para ter policiamento, e não há. As autoridades fecham os olhos até para as crianças”, reclama a cabeleireira, que todos os dias pega e deixa sua filha, de 12 anos, na
Duque de Caxias.

Jilce relata que a infraestrutura da instituição, contribui para os assaltos. “O mato que tem fora, tem dentro do colégio. A quadra é cercada de muro para os alunos não brincarem, e os bandidos aproveitam para ficar escondidos”, diz. A catadora de reciclagem Selma Silva, de 42, tem 3 sobrinhas estudando numa escola municipal, em Águas Lindas, Ananindeua, região metropolitana de Belém. O local nunca foi assaltado, no entanto, ela tem receio. “Deixamos as crianças, e não sabemos como elas vão estar na volta. A violência assusta”, finaliza.

No aviso, um recado que virou habitual nas escolas do Pará. (Foto: Octávio Cardoso)

Insegurança tomou conta das escolas públicas do Pará, diz o Sintepp

O coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Pará (Sintepp), Maurílio Estumano relata que a situação de insegurança está presente em todas as escolas públicas de Belém e Região Metropolitana. “Municipais e estaduais. O medo dos alunos e professores é o mesmo”, conta. Ele diz que o sindicato já mandou vários ofícios aos órgãos de segurança, pedindo reforço do policiamento, nas instituições. “Não somos atendidos. A educação está sendo ignorada em todo Pará”, reforça.

Ele garante que nas escolas do município de Belém, ficaram mais volúveis após a quebra de contrato com uma empresa de segurança, em 2016. “Agora, quem faz a vigilância são os guardas municipais. E são poucos, não atendem a demanda”, destaca o coordenador. Para Estumano, as condições precárias na infraestrutura, também contribui para os assaltos e furtos.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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