Quatro pessoas que atuam na área de segurança pública do Estado foram assassinadas este ano. Entre as vítimas estão 2 guardas municipais de Belém e 2 policiais militares. No ano passado, foram 28 policiais militares assassinados no Pará. As estatísticas, ainda preliminares, demonstram a gravidade da situação de violência que assombra a população paraense.
Para o sargento Francisco Xavier, da Polícia Militar do Pará (PM) e presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM e Bombeiro Militar, os altos índices de criminalidade são reflexo da inércia do Governo do Estado, sobretudo no sentido porque não garante melhores salários e condições de trabalho aos agentes de segurança pública. Hoje, o efetivo da corporação é composto por 14.600 PMs, que atendem 8 milhões de habitantes no Pará.
POLICIAIS
O número é considerado insuficiente, tendo como base o cálculo feito pela própria categoria. Para a associação, o efetivo deveria ser de, no mínimo, 30 mil homens. “Para atender de forma eficaz a Região Metropolitana, precisaríamos de pelo menos 10 mil PMs. É quase o efetivo do Estado inteiro”, acrescenta Xavier. Segundo ele, os salários da categoria não são reajustados desde o ano passado, tendo como data-base o mês de janeiro. Também não receberam uma parcela de 2016 do auxílio fardamento, que é pago 2 vezes ao ano, em julho e novembro.
Diante da gravidade da situação, nos últimos 6 meses, a associação tem buscado uma participação mais ativa em debates promovidos pelas entidades que lutam em defesa dos direitos humanos, como a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará e a Assembleia Legislativa do Estado do Para (Alepa).

"para atender de forma eficaz à Região Meropolitana de Belém, precisaríamos de pelo menos 10 mil PMs. É quase o efetivo do Esado inteiro", afirma Francisco Xavier, da Associação dos Cabos e Soldados da PM. (Foto: Marcelo Lélis/Arquivo)
AJUDA
“Procuramos para pedir ajuda porque todo mundo perde com essa situação, tanto a população como o policial”, destaca Xavier, ao ressaltar que, desde 2010, a entidade tem protocolado documentos junto aos órgãos que compõem o sistema de segurança pública do Estado para cobrar providências. A insegurança também tem afetado os agentes da Guarda Municipal de Belém, com 2 guardas assassinados somente este ano. Presidente da Associação dos Guardas Municipais de Belém (Agembe), Valdo Furtado critica a falta de estrutura e de condições de trabalho. Furtado diz que faltam viaturas para fazer rondas e dar apoio ao trabalho desempenhado pelos agentes, sobretudo em áreas periféricas.
“Dois guardas na porta de uma escola é suficiente, desde que tenham equipamentos como o rádio para se comunicar e viatura circulando”, diz, acrescentando que a categoria é carente desse suporte. Para cobrar melhores condições de trabalho e segurança no exercício da função, os guardas municipais farão um ato em frente à sede da Guarda em Belém, às 8h do próximo dia 10. Sobre os assassinatos, Furtado diz que a associação está dando todo o apoio para que a Polícia Civil possa elucidar os crimes.

RESPOSTA
A Segup informou que estão sendo formados mais 2.200 policiais militares. Contudo, a Associação dos Cabos e Soldados da PM afirma que o número não consegue suprir a demanda. Para a associação, a corporação necessita que pelo menos 4 mil novos agentes sejam formados até dezembro deste ano.
A Guarda Municipal de Belém foi procurada por email, uma vez que reportagem não conseguiu contato por telefone. Porém, não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Pryscila Soares/Diário do Pará com Redação)
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