O clima de tensão e cansaço que cerca a manifestação de familiares de militares, que seguem acampados na frente de pelo menos quatro comandos da polícia desde a última sexta-feira (10), parece acentuar-se. Desta vez, um membro do grupo de manifestantes, que é formado majoritariamente por mulheres, registrou um Boletim de Ocorrência na Corregedoria Geral da Polícia Militar, relatando uma agressão de um capitão da corporação na tarde desta segunda (13).
Segundo o informado pela vítima no B.O, existia entre o grupo de mulheres e uma tenente coronel, mediadora da polícia durante a situação, um acordo entre as partes determinando que nenhum soldado poderia sair uniformizado das dependências do comando.
De acordo com o relatado para a Corregedoria, um capitão da Polícia Militar insatisfeito com a decisão, desobedeceU a ordem da tenente coronel e saiu do batalhão uniformizado, causando a insatisfação do grupo de mulheres. Ele teria adentrado em um veículo oficial descaracterizado, e arrancado em direção às mulheres.
Segundo testemunhas que preferiram preservar a identidade, o capitão teria atingido a perna de uma das integrantes do grupo, que registrou Boletim de Ocorrência contra o oficial.
Em contato com o DOL, o Oficial da Corregedoria da PM, Major Cruz, confirmou a ocorrência, mas negou inicialmente a existência de feridos. “Realmente houve o fato, o capitão desobedeceu uma ordem superior e perdeu a cabeça, mas ele não atingiu ninguém com o carro, apenas arrancou e foi embora”, disse por telefone.
“Já abrimos processo disciplinar para investigar o caso e punir quem seja necessário. Desobedecer uma ordem superior já constitui crime militar, agora averiguaremos o restante da denúncia, vamos aguardar”, informou o Major.
Posição da Polícia Militar
Em nota, a Polícia Militar afirmou que aguardará a decisão da Corregedoria sobre o caso, para tomar alguma medida se necessário. A nota segue dizendo que “o policial não responderá nenhum processo administrativo enquanto a Corregedoria não finalizar a apuração do caso.
A PM informa ainda que a vítima não realizou o exame Corpo Delito, o que seria determinante para desvendar a situação. “Vale ressaltar que não foi apresentado corpo delito pelas mulheres pois não foi identificado nenhum tipo de agressão nas mesmas", finaliza a PM em nota.
Manifestações continuam
Um grupo de cerca de 60 mulheres está acampado desde sexta-feira (10) em frente ao Batalhão da PM, localizado na avenida Brigadeiro Protásio, no bairro do Souza. Com o passar dos dias, outros grupos passaram a se reunir em frente a pelo menos outros três comandos da capital.
Perguntadas sobre o tempo que pretendem permanecer no local, as mulheres informam que até receberem uma resposta concreta do poder público.
"Hoje disseram que vice governador viria conversar conosco. Esperamos até o final da tarde e ele não veio, adiaram para amanhã de manhã. Estamos acampados e só saíremos quando formos atendidas", disse uma das manifestantes, que pediu para ter a identidade preservada.
Os familiares reivindicam a equiparação do salário base do policial com o do salário mínimo atual, além do reajuste salarial baseado na inflação, o que não acontece há dois anos.
Leia Mais sobre os quatro dias de protestos pelo Pará:
Mulheres de PMs vão pra o 4° dia de protestos
Mulheres de PMs seguem sem acordo com governo
Esposas de PMs fazem protesto em Castanhal
Mulheres de PMs protestam em 3 cidades paraenses
(DOL)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar