Uma investigadora de Polícia Civil, identificada como Vânia Carla Pampolha Vieira, é apontada como sendo responsável pelo atropelamento da técnica de enfermagem e massagista Waldirene Gonçalves, de 35 anos. O caso aconteceu no conjunto Panorama XXI, em Belém, na noite de sábado (04), e foi confirmado pela Polícia Civil ao DOL na manhã deste domingo (05). A vítima foi levada por equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), onde segue internada.
De acordo com informações do Boletim de Ocorrência (BO) registrado por três policiais militares, Vânia Carla Pampolha Vieira apresentava sinais de embriaguez: "olhos vermelho, voz embargada, hálito com odor etílico e andar cambaleando". No momento da batida, ela estava armada com uma pistola Taurus calibre 40, um carregador e 14 cartuchos calibre .40.
De acordo com informações do irmão da vítima, Willian Gonçalves, a investigadora bateu em outro veículo e deixou a pedestre prensada entre os dois carros. "A população teve que arredar o veículo para tirar minha irmã. Ela quebrou as duas pernas, a bacia e a tíbia. Foi muito grave o caso".
Apesar do relato do irmão da vítima, a policial civil foi enquadrada por lesão corporal leve. A Polícia Civil informou ao DOL que a investigadora foi encaminhada para a Divisão de Crimes Funcionais (DECRIF), onde foi feito um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por lesão corporal leve. Ela também foi autuada por alcoolemia (dirigir sob efeito de bebida alcóolica), mas foi liberada após pagar fiança equivalente a R$ 5 mil e responderá o processo em liberdade.
Segundo a Polícia Civil, a carteira de motorista da suspeita não apreendida, apenas anotados os dados e tirada cópia do documento para que seja encaminhado ao Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran) para aplicação de multas.
A inspetora Vânia Carla Pampolha Vieira foi levada para a Decrip em uma viatura da PM (Foto: reprodução)
Willian Gonçalves reforçou o relato dos policial militares e disse que era visível que a investigadora estava embriagada. "Só de olhar para ela, era possível ver que ela estava embriagada. Quando cheguei no local, pude constatar isso. Só que a polícia militar fez logo um cerco para ninguém chegar perto dela, falando que ela era policial. Ela estava tão porre que tentou fugir, mas não conseguia nem dirigir direito. A população que estava lá se meteu na frente do carro e impediu que ela saísse", conta. "Cada vez que a policial civil tentava arredar o carro, minha irmã era mais prensada".
Willian pede justiça. "Nosso medo é que ela saia impune por ser policial. A mulher estava visivelmente embriagada, mas na nossa visão teve um tratamento diferenciado. Ao chegar na delegacia ficou em uma sala e só depois de mais de três horas ela foi fazer o exame de dosagem alcoólica. Tanto tempo de espera pode ter feito diminuir a quantidade de álcool no sangue", questiona.
De acordo com o pai de Waldirene, Raimundo Nonato, 51 anos, a investigadora não prestou qualquer tipo de socorro até o momento. "Queremos justiça e que ela pague pelo o que fez com a minha filha, pois ela pode fazer o mesmo com outras pessoas por irresponsabilidade. Ela deveria ser exonerada do cargo. Minha filha é uma moça responsável e trabalha duro para sustentar a filha. Soubemos no dia do acidente durante a perícia que essa policial é acostumada a dirigir embriagada, mais um motivo para que ela seja punida", disse Raimundo Nonato.
Código de trânsito
De acordo com o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, "conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência. Penas – detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor".
Estado de saúde
Waldirene havia sido internada no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), mas na madrugada desta segunda-feira (6), foi transferida para o Hospital Galileu, que é referência em casos de trauma e passará por cirurgia ainda hoje.
Ainda segundo os familiares, Waldirene não corre risco de perder as pernas.
(DOL)
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