Voltadas para oferecer proteção à saúde, as clínicas onde são feitas consultas médicas e/ou procedimentos odontológicos se tornaram mais um alvo da insegurança, em Belém, onde os casos de assaltos se tornaram constante recentemente, preocupando proprietários e clientes.
Na última quarta (15), no bairro do Marco, uma médica, que foi ferida com um tiro na perna, perdeu o esposo. Eolaio Carneiro da Silva, 50, foi morto a tiros durante um assalto ao consultório dentário da esposa.
No local do latrocínio (roubo seguido de morte), na travessa Vileta, entre as avenidas Almirante Barroso e 25 de Setembro, o estabelecimento amanheceu de portas fechadas, ontem. A sensação que ronda a vizinhança agora é de muito pavor. “A qualquer hora estamos correndo risco não só de sermos assaltados, mas de perdermos a vida”, diz um morador que prefere não ser identificado.
A dentista Sandra Villacorta, que há mais de 20 anos atua em uma clínica odontológica, no Marco, ainda está assustada com a tragédia. “Nós temos muitos pacientes em comum e o que aconteceu deixou uma profunda preocupação entre todos os comerciantes que atuam nessa área. Por isso estamos articulando uma manifestação para pedir uma intensificação do policiamento na área”, diz.
ASSALTOS
Sandra já presenciou diversos assaltos, inclusive na frente da própria casa, que fica no mesmo bairro. “Precisamos tomar uma atitude urgente. Às 8h, as pessoas são abordadas e roubadas. De dentro da minha casa, eu já vi gente furtando o pneu de automóvel do vizinho e a gente não pode fazer nada”, lamenta.
Nem mesmo a instalação de um circuito de vigilância interna, por meio de câmeras de segurança que geram um custo alto, intimidam os criminosos. “Já tínhamos pensado em colocar câmeras na frente do consultório, mas não deteria a ousadia deles”, explica a secretária de uma clínica que não quer se identificar.
ASSUSTADO
Segundo o diretor do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado do Pará (Sindesspa), Leonardo Baher, a entidade não possui levantamento sobre a ocorrência de crimes, mas assegura que o número de delitos dentro das clínicas tem aumentado na capital e no interior. “Assusta tudo o que estamos passando, obrigando os proprietários a investir cada vez mais”, ressalta.
O que ocorreu anteontem, segundo ele, foi uma barbárie. “É um sentimento de frustração começar um empreendimento e ser vítima de assaltos, furtos e até morte. Queremos que o caso seja investigado e o posicionamento do Estado perante esta insegurança que vivemos”, cobra.
Até o fechamento desta edição a Polícia Militar não se posicionou sobre o assunto.
(Wal Sarges/Diário do Pará)
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