Ontem (12), funcionários e clientes da loja Americanas, na Avenida Alcindo Cacela, no bairro da Cremação, foram feitos reféns por 4 homens armados que tinham acabado de assaltar o estabelecimento, mas na saída foram surpreendidos por uma guarnição da Polícia Militar. Encurralados - ou seja, sem saída – os meliantes correram para dentro da loja e renderam todas as pessoas que estavam no empreendimento. As vítimas ficaram por quase duas horas na mira de revólveres calibre 38 cheios de munição. O desespero foi tamanho que teve funcionário querendo fugir da loja pelo telhado. A Ronda Tática Metropolitana (Rotam) e o Comando de Operações Especiais da PM foram acionados para ajudar na negociação e liberação dos reféns.
Os acusados foram encaminhados para Seccional Urbana de São Brás, onde se apresentaram pelos nomes de José Nartani Rodrigues Marques, 18; André de Sousa Pinheiro, 21; José Caio Modesto Prata, 25; e Wesley Batista Sousa dos Santos, 19. Eles podem ter sido autuados em flagrante por associação criminosa, roubo qualificado e posse ilegal de arma.
Dos 4 acusados, José Caio já tem passagem pela polícia e já respondeu a processo por roubo majorado. Ele era um dos que usava o revólver. O grupo chegou a loja por volta das 17h30, em 2 motocicletas (placas NSS 4113 e NSR 6950, ambas com o licenciamento atrasado e uma delas com 8 multas de trânsito). Funcionários de uma loja de materiais de construção em frente a Americanas perceberam a movimentação e acionaram a Polícia Militar.
O estabelecimento estava lotado e a rua, no caso a Avenida Alcindo Cacela, com o trânsito bastante movimentado.
Quatro homens tinham acabado de assaltar loja na Avenida Alcindo Cacela e na saída foram surpreendidos pela polícia. Encurralados, eles usaram os clientes e funcionários como escudos (Foto: Celso Rodrigues)
Segundo o PM Luiz Otávio, que foi o primeiro policial a chegar ao local, a viatura em que ele estava passava próximo a loja quando recebeu o chamado. No momento em que a guarnição chegou os acusados já estavam saindo e voltaram correndo para loja e já fazendo reféns as pessoas que encontraram pela frente.
Os assaltantes exigiram a presença da imprensa (mais precisamente emissoras de TV), coletes a prova de bala e também a família para poder liberar os reféns. O clima foi tenso e as negociações demoradas. Parte da ação foi transmitida ao vivo pela televisão.
O tenente coronel PM Sérgio Neves, que esteve a frente das negociações, juntamente com o Major Mariúba da Rotam, destacou que a maior preocupação era com a vida dos reféns no interior da loja. “A exigência do colete foi a que mais demoramos em negociar devido o perigo em que estavam as vítimas”, frisou o oficial.
Os acusados estavam muito nervosos. O que aumentava o risco do assalto resultar numa tragédia. A Avenida Conselheiro Furtado foi interditada no trecho entre Rua dos Mundurucus e a Pariquis.
A mãe de um dos assaltantes gritou para ele. “Te entrega, meu filho, pelo amor de Deus!”, exclamou a mulher. Os reféns foram liberados aos poucos e um dos últimos a sair de dentro da loja teve de voltar para entregar os coletes aos meliantes. O homem aparentava ter cerca de 35 anos de idade. “A gente estava lá para trás não deu para ver muita coisa”, disse, nervoso. Ele pediu para ter a identidade preservada.
Na Seccional de são Brás, José Caio Prata foi o único a conversar com a imprensa e foi ele próprio a informar que já esteve preso. “A intenção era só assaltar a loja, mas foi uma tentativa frustrada”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a sua passagem pela polícia, respondeu que já tinha cumprido a sua pena. “Eu já tinha pagado a minha dívida com a sociedade”, justificou. Agora voltou a ser preso novamente por roubo.
(Denilson D'almeida/Diário do Pará)
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