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POLÍCIA

Guarda é preso por estupro de menino de 6 anos

Quem chega em sua casa e o vê brincando com os seus carrinhos e pintando o desenho do “Homem aranha”, seu super-herói favorito, demora a acreditar que a infância daquele menino quase foi perdida. Na verdade, esta infância ainda guarda uma mancha difícil d

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Quem chega em sua casa e o vê brincando com os seus carrinhos e pintando o desenho do “Homem aranha”, seu super-herói favorito, demora a acreditar que a infância daquele menino quase foi perdida. Na verdade, esta infância ainda guarda uma mancha difícil de ser removida de seu passado recente. Aos 6 anos de idade, e com uma energia invejável, o pequeno fã do “Homem Aranha” foi abusado sexualmente por um amigo da família. O acusado se chama Djalma Paiva da Silva, tem 53 anos de idade, e, acredite, é guarda municipal de Belém. Ele foi preso no último dia 26 de maio e está no presídio Anastácio das Neves.

A prisão do acusado foi expedida pela Vara de Inquéritos e Medidas Cautelares de Belém e ainda se trata de uma preventiva, pois o caso ainda está sendo investigado pela Polícia Civil. O Boletim de ocorrência Policial foi registrado pela mãe da criança na Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca), sediada no polo Pro Paz do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

A denuncia foi feita em abril, um mês antes do acusado ter sido preso. Assim que a mãe soube que o filho tinha sido violentado, procurou pela polícia. A criança foi encaminhada para exames que constataram a violência sexual. Tendo a identidade preservada, a mãe da criança disse que contou ao pai do menino o que tinha acontecido um mês depois que formalizou a denuncia e foi justamente quando o acusado foi preso. “Eu segurei sozinha tudo isso porque não sabia como o meu marido ia reagir e eu queria ter certeza que o ele (o acusado) ia ser preso pelo que fez com o meu filho”, disse. “O que ele fez com o meu filho foi uma barbaridade, não tem outro nome”, definiu.

Acusado se oferecia para cuidar da criança

A mãe do fã do pequeno fã do “Homem-Aranha” trabalha como vendedora. Para conseguir concluir a jornada de trabalho precisava deixar o filho alguns dias na casa do acusado – no qual até, então, ele e a esposa eram amigos da família. “Mas a esposa do Djalma de vez quando precisa sair, era nesse momento que ele abusava do meu filho”, contou a mãe.Ela passou a desconfiar da mudança do comportamento do filho que estava violento, além disso já não queria mais voltar a casa do acusado. O “estopim” para descobrir o que estava acontecendo foi durante uma aula de reforço do menino que contou que Djalma, antes de praticar o ato sexual com a criança, mostrava vídeos pornográficos e fotos eróticas ao menino.

“Ele dizia para o meu filho que aquela brincadeira se chamava ‘Totó’ e foi assim que o meu filho denominou o ato”, relatou a mãe.A Guarda Municipal de Belém informou que Djalma Paiva está afastado das suas funções enquanto o processo estiver tramitando. Caso ele seja condenado, “um outro processo administrativo vai definir a situação” do guarda.

Foto: Maycon Nunes

Dados assustadores

Hoje, o menino está entre as 553 vítimas de estupro atendidas pela Fundação Pro Paz somente este ano, no Estado. Os dados correspondem a exatamente o período de Janeiro a Abril, resultando na média diária de 3,68 casos registrados por dia no Pro Paz. De acordo com os índices, em cerca de 18,35% dos casos de estupro atendidos pela fundação as vítimas tinha idade menor que 17 anos. No ano passado, quando foram registrados 1682 casos de estupro nas unidades do Pro Paz, a média diária de denuncias foi de 4,60 ocorrências de estupros nas unidades da Fundação em todo território paraense.

NÚMEROS

Outros dados sobre estupro no Pará

7 casos/diaSegundo os dados mais recentes, em 2015 o Pará tinha 7 casos de estupros notificados a cada dia. Os números são do 10º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o relatório, 2.751 casos foram registrados naquele ano. A publicação revela ainda outras 177 tentativas de estupro.5º do BrasilO Pará é o quinto estado do País em estupros, segundo o Anuário. O Pará só fica atrás de São Paulo (9.265 casos), Rio de Janeiro (4.887), Paraná (4.120) e Minas Gerais (3.970).499 casosTotal de ocorrências registradas em Belém, em 2015.

Perfil do agressor

Segundo o estudo “Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (versão preliminar), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 2014, 15% dos estupros registrados por dois ou mais agressores. A maioria esmagadora é do sexo feminino. E 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padastros, e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima.

No geral, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados, amigos ou conhecidos da vítima, o que indica que o principal inimigo está dentro de casa e que a violência nasce dentro dos lares.

Com base nesse sistema, a pesquisa estima que no mínimo 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil e que, destes casos, apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia. “As consequências, em termos psicológicos, para esses garotos e garotas são devastadoras, uma vez que o processo de formação da autoestima - que se dá exatamente nessa fase - estará comprometido, ocasionando inúmeras vicissitudes nos relacionamentos sociais desses indivíduos”, aponta a pesquisa.

(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)

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