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POLÍCIA

Violência: a grande Belém do medo

Com uma população menor que a de Belém, os municípios de Ananindeua e Marituba amargam taxas de homicídios e mortes violentas tão altas que superam as registradas na capital. O Atlas da Violência de 2017, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Ap

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Com uma população menor que a de Belém, os municípios de Ananindeua e Marituba amargam taxas de homicídios e mortes violentas tão altas que superam as registradas na capital. O Atlas da Violência de 2017, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que os dois municípios da Região Metropolitana de Belém (RMB) estão entre as 50 cidades, com população superior a 100 mil habitantes, mais violentas do País.

Moradora do município de Marituba há 17 anos, a comerciante Thaís Nayara Moraes, 23 anos, não tem dúvidas de que a situação de violência atual é bem pior do que há anos atrás. As notícias de assaltos que ocorrem no município chegam aos ouvidos dos moradores diariamente. “Todo dia são dois, três assaltos... isso quando não é morte que a gente fica sabendo”. Diante de tanta insegurança, toda a rotina tem que ser mantida em estado de alerta.

O medo de sair de casa é constante. Apesar de nunca ter sido vítima, Thaís já presenciou um assalto e o trauma deixado permanece até hoje. “A gente não pode ouvir barulho de moto ou bicicleta que já fica com medo”.O medo também é o que faz o comerciante Elício Bezerra, 62 anos, atender aos clientes sempre por entre a grade. O comércio localizado no Conjunto Cidade Nova VI, em Ananindeua, permanece o dia todo com as grades fechadas. “Não tem como trabalhar com a porta aberta. Com a grade a gente sente um pouco mais seguro”. No mesmo bairro, a padaria de Marcel de Abreu, 32 anos, também utiliza a grade como estratégia para tentar frear a insegurança. Durante parte do dia, a panificadora fica aberta para que os clientes possam escolher os produtos, mas não demora muito para que as grades sejam fechadas. “A gente fica sempre alerta e preocupado”.

Apesar dos cuidados, o comércio não escapou de passar por uma situação de perigo. Há cerca de três semanas, pessoas se passando por clientes entraram no local e anunciaram um assalto. “Foi a primeira vez que aconteceu isso com a gente, então fica o medo”.

Omissão do poder público fomenta a violência

Tendo como base um processo histórico que ocorre já há algum tempo nas grandes cidades, o antropólogo Romero Ximenes destaca que tal situação de violência nos municípios próximos à capital decorre da própria desestruturação das cidades. “Ananindeua e Marituba são áreas de repressão da pobreza de Belém. As pessoas mais pobres são empurradas para morar cada vez mais longe das áreas saneadas de Belém”, relaciona. “Nessas áreas permanece uma situação de aumento da tensão devido à péssima qualidade de vida”.

O antropólogo explica que um conjunto de fatores ajuda a causar esse estado de tensão que, não raro, acaba resultando em atos de violência. A ausência de serviços básicos como saneamento, educação, saúde contribuem diretamente para a escalada da violência. Não é a toa que os dois municípios, Ananindeua e Marituba, figuram também nos rankings das cidades com os menores índices nestes tipos de serviços. “As pessoas que vivem em situação de extrema pobreza vivem em estado de extremo desespero também. Essa situação causa uma pré-disposição à irritação e, consequentemente, a atitudes de violência”.Dessa forma, mais do que aumentar o quantitativo de policiais nas ruas ou planejar medidas repressivas, a saída para tal quadro, na visão de Romero Ximenes, está na melhoria da condição de vida das pessoas. “Só se pode ter uma sociedade tranquila se as pessoas tiverem qualidade de vida e isso depende de um bom saneamento, educação, saúde, alimentação”, pontuou.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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